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INDÚSTRIA

- Publicada em 20 de Abril de 2022 às 17:56

Efeitos da Guerra da Ucrânia devem impactar nos preços de têxteis e vestuário no RS

Setor teme um enfraquecimento do consumo interno de roupas e produtos têxteis no Estado

Setor teme um enfraquecimento do consumo interno de roupas e produtos têxteis no Estado


MARCO QUINTANA/JC
Fernanda Crancio
Ainda lidando com os efeitos econômicos da pandemia, a indústria têxtil e de vestuário gaúcha tem enfrentado uma nova batalha desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, há cerca de dois meses, diante da alta do petróleo e da falta de fertilizantes. Com o conflito internacional, foram agravados o desarranjo das linhas de produção - iniciado junto com a crise sanitária - e a escassez de insumos, o que vem gerando aumento do custo produtivo e das matérias-primas, refletindo negativamente tanto no bolso do consumidor quanto nas vendas.
Ainda lidando com os efeitos econômicos da pandemia, a indústria têxtil e de vestuário gaúcha tem enfrentado uma nova batalha desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, há cerca de dois meses, diante da alta do petróleo e da falta de fertilizantes. Com o conflito internacional, foram agravados o desarranjo das linhas de produção - iniciado junto com a crise sanitária - e a escassez de insumos, o que vem gerando aumento do custo produtivo e das matérias-primas, refletindo negativamente tanto no bolso do consumidor quanto nas vendas.
De acordo com levantamento do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Rio Grande do Sul (Sivergs), que representa as empresas dos mais diversos segmentos da indústria de vestuário, acessórios, tricotagem, linhas, etc., o segmento já havia absorvido uma alta de 40% no valor dos materiais com a pandemia, mas esperava conseguir equilibrar esses custos com as vendas de verão. No entanto, não tive nem tempo para respirar até a produção da próxima estação, sendo afetado pelos impactos da guerra e o aumento dos custos logísticos, do algodão importado e dos derivados do petróleo como o poliéster e outros materiais.
"O poliéster já subiu 25% no mercado interno, pelo custo do barril do petróleo. Da mesma forma, os contêineres para embarque de matéria-prima da Ásia para cá, que em alguns casos passaram de US$ 2 mil para US$ 14 mil e até US$ 26 mil, como cheguei a ver no Porto de Santos. É um desarranjo total da produção e não sabemos o que virá pela frente. Acreditamos que ainda enfrentaremos dificuldades por mais uma estação, no mínimo", alerta o vice-presidente do Sivergs, Rogério Bértoli.
Antes do conflito bélico começar, os números da indústria já se aproximavam ao patamar de 2019, no pré-pandemia, quando o Produto Interno Bruto (PIB) do setor no Rio Grande do Sul chegou a R$ 6 bilhões, 9,34% a mais do que o registrado no ano anterior, em 2018. Diante da nova realidade, o setor agora teme um enfraquecimento no consumo interno.
O dirigente comenta ainda que a escassez de fertilizantes oriundos da Rússia, que atende cerca de 20% da demanda do Brasil, já prejudica a produção de algodão, cujo cultivo interno decaiu e caminha para a possibilidade de um desabastecimento da cadeia. "Dessa forma não há como colher a mesma quantidade que estávamos acostumados, o que impacta na produção interna de plumas e fios de algodão", aponta o dirigente.
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Além disso, como o País importa grande parte do algodão necessário à produção do Paquistão, os custos logísticos ainda são majorados. Outra questão que preocupa, levantada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), é o impacto inflacionário sobre a atual realidade da indústria, que pode reverter também na elevação das taxas de juros, o que afetará ainda mais os negócios do setor.
Uma alternativa para a falta de insumos passa diretamente pela engenharia têxtil, que trabalha no desenvolvimento de outras opções ao algodão, poliéster e à viscose, como as fibras naturais, que exigem investimento em pesquisa e tendem a chegar com preços mais salgados nos pontos de venda, pela necessidade de repasse de parte dessa alta de custos produtivos ao consumidor. "Se não temos fio de algodão, usamos outro, misturamos o que temos de viscose com poliéster e criamos novos produtos. No entanto, esse processo chega ao mercado com preço maior que o habitual, pelo menos em um primeiro momento, pois precisamos tentar buscar uma recuperação dos custos", completa Bértoli.
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