Não bastasse os
prejuízos que a estiagem tem representado para o
agronegócio, outra ameaça chega com força aos campos do Rio Grande do Sul. A falta de chuva combinada aos incêndios de grande proporção que têm atingido a fronteira da Argentina com o Estado colocam os municípios da Fronteira Oeste em alerta total.
Neste domingo (20), a cidade de São Borja foi atingida pelo fogo, que se alastrou entre os dois trevos de acesso à cidade e chegou perto da área urbana, ao longo da BR-472. “O vento norte agravou a situação e fez com que as chamas se espalhassem”, relata o prefeito de São Borja, Eduardo Bonotto, ao informar que foram atingidas quatro carretas de uma empresa de transportes e também equipamentos - como tratores - de uma propriedade.
Equipamentos de uma propriedade foram atingidos pelo fogo em São Borja. Eduardo Moreira Belmonte/Divulgação/JC
Graças à mobilização do Corpo de Bombeiros, com a ajuda da comunidade, empresas, Polícia Rodoviária Federal, Exército, Brigada Militar e da prefeitura, o fogo foi controlado no fim do dia. “Também foi fundamental a ajuda das empresas de aviação agrícola e dos pilotos que responderam ao nosso chamado e se dispuseram a ajudar no combate às chamas”, ressalta Bonotto, que também é presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).
No caso de São Borja, além do enfrentamento aos focos de incêndio, o município precisa lidar também com os reflexos dos estragos no país vizinho. A fumaça das queimadas faz com a fuligem chegue aos municípios da fronteira, cobrindo carros e residências. A população tem reclamado de efeitos como a piora da qualidade do ar e também ardência nos olhos.
Mais de 800 mil hectares já foram dizimados na província de Corrientes, informa Bonotto. Segundo o prefeito, o fogo vem se alastrando rapidamente em função da peculiaridade da província argentina, formada por grandes áreas de densa vegetação – que estão secas em função da estiagem – e por plantações de pinus e eucaliptos, espécies que contêm uma resina natural que serve de combustível para espalhar o fogo.
Desde sábado, efetivos e equipamentos cedidos pelos municípios gaúchos de Santa Cruz do Sul, Canoas, Santo Ângelo e São Luiz Gonzaga estão em São Tomé – cidade mais atingida pelos incêndios – para ajudar o combate ao fogo. A ajuda veio em resposta ao pedido formalizado por Bonotto na sexta-feira passada (18) junto aos governos federal e estadual com base no apelo que recebeu do intendente de Santo Tomé, José Augusto Suaid Cortes, e do governador de Corrientes, Gustavo Valdés.
“A conscientização da população é fundamental neste momento”, alerta o prefeito de São Borja. Os cuidados devem ser redobrados para evitar qualquer foco de fogo ao longo das áreas castigadas pela estiagem. Uma bituca de cigarro ou a queima de lixo, por exemplo, podem fazer um grande estrago. O uso racional da água também é outro fator de extrema importância para garantir o abastecimento e o combate a incêndios. Para se ter uma ideia, neste domingo, vários caminhões-pipa foram destacados pela prefeitura de São Borja para ajudar no controle do fogo.