O Rio Grande do Sul chegou a 401 municípios que decretaram situação de emergência por conta da estiagem que assola as lavouras e esvazia reservatórios no Estado. Assim, a seca já deixa 80,7% das cidades gaúchas em situação de emergência.
Destes, 288 já tiveram a situação reconhecida pela União. Este reconhecimento facilita que municípios atingidos pela falta de chuvas tenham acesso a políticas públicas para que as perdas sejam amenizadas. Geralmente, facilita também a liberação de linhas de créditos específicas para produtores de regiões atingidas.
Qualquer auxílio é bem-vindo aos produtores. No País, pedidos de seguro agrícola já ultrapassam R$ 5 bilhões, entre seguros privados e o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Só para os Estados do Sul, as entidades representativas da agricultura familiar entendem que, apenas para os pequenos produtores, é necessário um socorro de R$ 2,7 bilhões para o parcelamento de dívidas de custeio e investimento.
Mesmo que o Rio Grande do Sul seja o Estado brasileiro com maior área agrícola assegurada, o governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB), tenta pessoalmente em Brasília pressionar o Ministério da Agricultura para que atenda às demandas feitas já há mais de 60 dias pelos agricultores gaúchos, através de associações e federações.
"Essa talvez seja a pior estiagem nos últimos 70 anos, segundo alguns agrometeorologistas. Isso tudo nos preocupa e nos faz trabalhar para mitigar esses impactos”, afirmou o governador.
Segundo a secretária de Agricultura do Estado, Silvana Covatti, a marca dá a "certeza de que esta estiagem é uma das maiores dos últimos tempos". "Nós a enfrentamos com muita responsabilidade e reivindicamos que o Estado tenha um olhar muito especial ao que estamos vivendo. Acredito que teremos bons resultados com o Ministério da Agricultura", declarou a secretária.
A estiagem que quebra a safra de verão 2021/2022 não é novidade. Os gaúchos entraram neste ano já com 151 cidades com emergência decretada - marca atingida ainda no sétimo dia do ano. Pouco depois, em 12 de janeiro, já eram 200 cidades. Dentro de seis dias, em 18 de janeiro, o número subia para 300.
O problema, no entanto, já havia sido diagnosticado há muito tempo. Ainda em julho, meteorologistas como os da MetSul alertavam para a possibilidade do fenômeno natural La Niña atingir a região do Oceano Pacífico - o que impactaria o clima no Brasil e em boa parte do mundo nos meses seguintes.
Já na época, a maior parte dad mais de uma dezena de modelos de climas analisados periodicamente pela MetSul sinalizava um resfriamento no Pacífico Equatorial entre setembro e dezembro, quando, de fato, se concretizou o fenômeno.
Apenas agora, após mais de 70% da produção de milho ter sido perdida, a quebra na safra de soja estar alcançando os 50% e os prejuízos previstos já ultrapassarem os R$ 36 bilhões é que os produtores gaúchos conseguem ver respostas surgirem a um pedido de socorro que é repetido há meses.
O governo federal promete, até semana que vem, uma resposta ao Rio Grande do Sul sobre abertura de linhas de crédito para os pequenos produtores que não têm acesso nem a Proagro e nem a seguros privados. No Estado, o governo inicia uma força-tarefa para a construção de 6 mil açudes, 750 poços, instalação de caixas d’água e implantação de 500 conjuntos de cisternas nas áreas mais atingidas.
Enquanto isso, sem o retorno esperado para os investimentos realizados mesmo em um cenário de altos custos de produção, os pequenos agricultores gaúchos não sabem como vão pagar as contas ou mesmo preparar as plantações para a próxima safra.