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Jornal do Comércio

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VAREJO

- Publicada em 18h44min, 10/09/2020. Atualizada em 21h30min, 10/09/2020.

RS teve mais de 30,5 mil negócios encerrados desde o início da pandemia

Em Porto Alegre mais de 5,1 mil estabelecimentos deixaram de operar nos últimos meses

Em Porto Alegre mais de 5,1 mil estabelecimentos deixaram de operar nos últimos meses


JONATHAN HECKLER/JC
Fernanda Crancio
Os estragos provocados pela pandemia na economia gaúcha, especialmente em segmentos que estiveram impossibilitados de operar a pleno nos últimos meses, como serviços e comércio, impactaram no fechamento de muitos negócios. Afetados diretamente pelas limitações de atividades, muitas lojas, bares e restaurantes não conseguiram se adaptar às vendas eletrônicas ou por tele-entrega e retiradas no balcão, e as dificuldades de caixa recorrentes da crise foram potencializadas. Como reflexo desse cenário, 30,5 mil negócios diversos foram encerrados no Rio Grande do Sul entre março e agosto, segundo dados da Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS). Em Porto Alegre, que passou a flexibilizar atividades no mês passado, foram 5,1 mil estabelecimentos que deixaram de funcionar no mesmo período.
Os estragos provocados pela pandemia na economia gaúcha, especialmente em segmentos que estiveram impossibilitados de operar a pleno nos últimos meses, como serviços e comércio, impactaram no fechamento de muitos negócios. Afetados diretamente pelas limitações de atividades, muitas lojas, bares e restaurantes não conseguiram se adaptar às vendas eletrônicas ou por tele-entrega e retiradas no balcão, e as dificuldades de caixa recorrentes da crise foram potencializadas. Como reflexo desse cenário, 30,5 mil negócios diversos foram encerrados no Rio Grande do Sul entre março e agosto, segundo dados da Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS). Em Porto Alegre, que passou a flexibilizar atividades no mês passado, foram 5,1 mil estabelecimentos que deixaram de funcionar no mesmo período.
Segundo a economista-chefe da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), Patrícia Palermo (veja mais abaixo), de março a julho foram mais de 130 mil postos de trabalhos perdidos no Estado, o que reflete diretamente na perda de potencial de consumo dos gaúchos e na consequente queda das vendas e no aumento das demissões. "Certamente isso vai ser algo muito difícil de ser recuperado no curto prazo e vai ter consequência sobre toda a dinâmica de vendas do varejo aqui no Rio Grande do Sul", comenta.
Em relação aos fechamentos de empresas, ela aponta que nem sempre ocorrem automaticamente com a baixa do registro da empresa na Junta Comercial, mas enfatiza que a crise acentuada pela pandemia do novo coronavírus determinou o fechamento de muitos estabelecimentos, principalmente pequenas e microempresas, que não tiveram como manter seus fluxos financeiros. "O que aconteceu durante a pandemia foi um colapso das receitas de uma maneira muito aguda e rápida, que não foi compensado de imediato pela queda das despesas. Então, muitas empresas tiveram de acabar por fechar suas atividades, por não terem condições de manter esse desequilíbrio financeiro por mais tempo", avalia.
Patrícia acredita que as permissões recentes de operação do comércio aos sábados e a ampliação da faixa de horários de atendimento tendem a melhorar a situação dos empreendedores, mas aponta que a previsibilidade das ações é requisito fundamental para a retomada desses setores, que ainda buscam novas aberturas junto aos Executivos municipal e estadual. "Nós precisamos ter consciência de quais são os planos do governo daqui para a frente. Essa incerteza que se instalou aqui, principalmente em Porto Alegre, quanto ao abre e fecha de empresas, confunde as pessoas, atrapalha o planejamento das empresas e atrapalha e muito esse processo de retomada. O governo precisa ser claro naquilo que comunica e dar horizontes de planejamento minimamente razoável tanto para as empresas quanto para as pessoas", reforça.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o comércio brasileiro fechou julho com alta de 5,2% nas vendas, o que confirma essa tendência de retomada do varejo.
Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no Rio Grande do Sul, Maria Fernanda Tartoni destaca que há uma grande probabilidade de muitos estabelecimentos não conseguirem passar por essa fase de retomada, pois os custos seguem e o faturamento pode não ser suficiente para garantir as portas abertas. Segundo levantamento da entidade, mais de 40 restaurantes e operações de alimentação fecharam no Estado, e a expectativa dos empresários é de que a recuperação do setor possa levar entre um e mais de um ano. 
Nesta quinta-feira (10), foram liberados o funcionamento de bufês de autosserviço em restaurantes da Capital.
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Churrascaria e Galeteria Ravenna, no Menino Deus, fechou por tempo indeterminado em março. Crédito: Joyce Rocha/JC
Somente no bairro Menino Deus, 15 lojas e estabelecimentos da área de gastronomia encerraram as atividades nos últimos meses. "Desde 2015 a economia já vem instável, custos aumentando e sem a possibilidade de repasse para o cliente, isso já desestruturou alguns negócios. A pandemia veio e tivemos que usar todos os recursos ainda disponíveis antes de março. Muitos tentaram se readequar ao delivery e ao take away, mas um negócio não se equilibra logo de cara. O delivery e o take away foram uma forma de respirarmos um pouco, alguns inclusive viram como uma nova oportunidade de negócio, mas isso não foi para todos", ressalta.
Segundo ela, o setor, que emprega cerca de 84 mil pessoas em todo o Estado (dados do Atlas Econômico de 2017) e 50 mil somente na Capital (levantamento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico), tenta se readaptar à nova situação e retomar a rota dos negócios neste momento. "Foi bastante complicado, muitos não conseguiram manter a operação, muitos tiveram que se reinventar sem planejamento, e muitos planos tiveram que ser mudados no meio do caminho. Agora estamos tentando nos readaptar à nova situação e retomar a rota do negócio, para conseguirmos manter o setor vivo, as portas abertas e chegarmos a um momentos menos instável", comenta.
Pontos tradicionais de Porto Alegre, como o Restaurante Muralha da China e o Bar Van Gogh não resistiram aos efeitos da pandemia. O restaurante fechou as portas após 40 anos e o bar está à venda. Ainda na Capital, o Hotel Everest, um dos mais tradicionais da região central, também anunciou o encerramento das operações.

Economista da Fecomércio-RS diz que pandemia trouxe colapso agudo e rápido de receitas

Entrevista com Patrícia Palermo para pauta das Mulheres na Economia.
Patrícia enfatiza que as empresas precisam de previsibilidade para a retomada
LUIZA PRADO/JC
Jornal do Comércio - Segundo a Junta Comercial do RS, foram mais de 30,5 mil negócios extintos no RS e 5 mil em Porto Alegre desde março. Que avaliação a senhora faz do impacto da crise gerada pela pandemia sobre esses estabelecimentos?
Patrícia Palermo, economista-chefe da Fecomércio-RS - Nem sempre o fechamento das atividades de uma empresa é concomitante ao encerramento dessa empresa na Junta Comercial. O que a gente pode ter nesse momento é o registro de fechamento de empresas que encerraram suas atividades em vários momentos, não necessariamente na pandemia, como também uma série de empresas que acabaram encerrando suas atividades práticas no período da pandemia, mas que não baixaram o registro na Junta. Mas o que é certo é que essa crise fechou muitos estabelecimentos, especialmente micro e pequenos, empresas que têm um fôlego financeiro muito restrito. Muitas delas precisam desse movimento cotidiano, que cria receita, para pagar suas despesas. O que aconteceu durante a pandemia foi um colapso das receitas de uma maneira muito aguda e rápida, que não foi compensado de imediato pela queda das despesas. Então, muitas empresas tiveram de acabar por fechar suas atividades por não terem condições de manterem esse desequilíbrio financeiro por mais tempo. Isso, obviamente, repercute também na vida das famílias, porque para muitas pessoas tinham a fonte de renda básica da família nesses negócios, e isso certamente vai repercutir no futuro, alguém que perdeu muito dinheiro nesse período vai ter muita dificuldade de se recolocar como empreendedor nesse futuro.
JC -  Como as recentes flexibilizações desses setores têm ajudado os empreendedores a obterem um certo fôlego para retomada dos negócios? As limitações de horários e atendimentos têm sido suficientes para recuperação gradual de caixa?
Patrícia - Hoje a gente se defronta com um consumidor que perdeu renda, que tem muita incerteza em relação ao futuro, que tem medo de contaminação, então, vender para esse indivíduo já é algo difícil, e vender de portas fechadas é praticamente impossível, é uma dificuldade muito majorada. Essa história de conseguir vender pela internet não é todo o tipo de negócio que consegue fazer. Então, quando a gente anuncia que vai ter uma abertura e retomada de algo parecido com aquilo que a gente conhecia antes da pandemia, é obvio que é bem recebido, não só pelos vendedores e comerciantes em geral, mas como por toda a sociedade, porque se abre uma possibilidade de mais empregos e retorno da renda. Quando se faz readequação dos horário e se possibilita abrir nos dias da semana com maior consumo também repercute positivamente, porque a gente sabe que o consumo não é igual todos os dias da semana, e existem certos estabelecimentos comerciais mais afeitos a venderem em certos horários do que outros. Então, ter esse tipo de possibilidade de dias das semanas e horários mais vastos para que as compras se realizem obviamente melhora o cenário.
JC - Quais medidas governamentais poderiam ser tomadas no sentido de ajudar esses empresários na retomada? 
Patrícia - O que as empresas precisam nesse momento é de previsibilidade, nós precisamos ter consciência de quais são os planos do governo daqui para a frente. Essa incerteza que se instalou aqui, principalmente em Porto Alegre, quanto ao abre e fecha de empresas, de regras específicas para modular a abertura de acordo com tamanho das empresas, a possibilidade de abrir e não poder mais, isso confunde as pessoas em geral, atrapalha o planejamento das empresas, acaba diminuindo a vontade do consumidor de sair pra rua pra consumir, tudo isso atrapalha e muito esse processo de retomada. O governo precisa ser claro naquilo que comunica à população, constante na sua fala, sem mudar a toda a hora, e precisa dar horizontes de planejamento minimamente razoáveis tanto para as empresas quanto para as pessoas.
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