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Agronegócios

- Publicada em 11h42min, 27/07/2020. Atualizada em 16h57min, 27/07/2020.

Operação elimina 80% de uma das nuvens de gafanhotos na Argentina

Operação dá trégua temporária ao temor dos produtores rurais do Rio Grande do Sul

Operação dá trégua temporária ao temor dos produtores rurais do Rio Grande do Sul


Senasa/Sindag/Divulgação/JC
Thiago Copetti
Com a eliminação de cerca de 80% da nuvem de gafanhotos que estava próxima da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, os produtores rurais gaúchos ganham certo prazo de tranquilidade. Mas ainda pairam ameaças no ar, na Argentina e no Paraguai, onde novas nuvens foram detectadas recentemente.
Com a eliminação de cerca de 80% da nuvem de gafanhotos que estava próxima da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, os produtores rurais gaúchos ganham certo prazo de tranquilidade. Mas ainda pairam ameaças no ar, na Argentina e no Paraguai, onde novas nuvens foram detectadas recentemente.
De acordo com o monitoramento feito pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) e do relatório do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), as operações do final de semana eliminaram a maior parte dos gafanhotos que estavam em Federación, província de Entre Rios (na fronteira com o Uruguai) após pulverizações terrestres e aéreas.
Ainda assim, uma nova ação com pulverizadores costais (carregados por pessoas e presos às costas) ingressará na mesma área em busca de focos remanescentes. De acordo com Hector Emílio Medina, o chefe do Programa Nacional de Gafanhotos e Ticuras da Argentina, em relato ao Sindag, a nuvem foi definitivamente rompida. Os insetos estavam a cerca de 100 quilômetros da cidade gaúcha de Barra do Quaraí.
Chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Ricardo Felicetti, comemora a boa notícia de que até 80% dos insetos tenham sido eliminados pelo Senasa. A vigilância sobre os gafanhotos, porém, segue em curso. Felicetti diz que além dos gafanhotos remanescentes é preciso acompanhar se houve posturas, o que em poucos meses traria novos insetos. O combate, que contou com ajuda de produtores rurais argentinos, teve mais êxito porque as temperaturas estavam baixas, e o tempo frio impede a fuga dos insetos, que ficam lentos. 
“Além da nuvem de Formosa, que pode estar a cerca de 600 quilômetros do Rio Grande do Sul o estado de emergência foi decretado por um ano”, ressalta Felicetti.
Se levado em conta as estimativas médias da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a nuvem que estava próximo da Fronteira Oeste do Estado poderia ter cerca de 400 milhões de insetos. O Chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal explica que esse cálculo leva em conta uma estimativa de que haveria entre 40 milhões e 80 milhões de gafanhotos por quilômetro quadrado. A nuvem que foi contida neste final de semana teria cerca de 10 quilômetros quadrados.

Calor favorece proliferação

Ações ao longo do final de semana teriam eliminado a maior parte dos insetos
Ações ao longo do final de semana teriam eliminado a maior parte dos insetos
Senasa/Sindag/Divulgação/JC
O calor é um grande aliado dos gafanhotos e o aumento das temperaturas no sul da América Latina seria uma das causas da expansão das nuvens. De acordo com André Maciel Pelanda, professor dos cursos de Gestão Ambiental e Saneamento Ambiental do Centro Universitário Internacional Uninter, do Paraná, esse é o motivo do aparecimento da praga na Região Sul em pleno inverno.
De acordo com Pelanda, o fenômeno tem relação direta com as mudanças climáticas e o aquecimento global. Isso porque um planeta mais quente tem efeito direto no metabolismo dos insetos, neste caso, em especial, dos gafanhotos. O professor explica que um estudo publicado por uma equipe de cientistas norte-americanos na Revista Science apontou que o clima mais quente torna-os mais ativos e propensos a se reproduzir. Outro fator para levar em consideração, acrescenta, é que se tornam mais famintos. Um gafanhoto adulto é capaz de comer o equivalente ao seu próprio peso corporal em um dia.
Saiba mais
  • Pesquisadores da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), indicam que aumentaram em 10% a 25%, os danos globais causados por pragas de insetos na produção de arroz, trigo e milho e, a consequência é a utilização cada vez maior de inseticidas para o combate.
  • O impacto maior se dá em regiões de clima temperado onde a maioria dos grãos são produzidos. Temperaturas altas aumentam a reprodução dos insetos, com exceção dos trópicos. Mais insetos, mais venenos, comentam os autores.
  • Os gafanhotos não são as únicas espécies que devoram as culturas, mas são os mais monitorados pelo poder de devastação que possuem. Em 2004, houve uma infestação de gafanhotos na África que causou danos nas lavouras de mais de 2,5 bilhões de dólares.
  • Um enxame pequeno em um dia consome o que 35 mil pessoas precisam para se alimentar, devoram as lavouras, em especial de trigo, milho e arroz, e daí vem a preocupação dos agricultores da região sul em relação à aproximação dos mesmos, vindos da Argentina.
Fonte: André Pelanda e Rodrigo Berté , professores do Centro Universitário Internacional Uninter
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