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- Publicada em 19h37min, 22/07/2020. Atualizada em 10h57min, 02/08/2020.

Marchezan e empresários não obtêm consenso e não há prazo para reabertura de atividades

Com a elevação da ocupação de UTIs, prefeito afasta retorno e não dá para prazo para reabertura

Com a elevação da ocupação de UTIs, prefeito afasta retorno e não dá para prazo para reabertura


LUIZA PRADO/JC
Patrícia Comunello
O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, quer mais medidas para restringir a circulação das pessoas elevando o isolamento social, que não passa de 43% em dias úteis e a meta é de 55%. Entidades empresariais alegam que não há como reduzir mais atividades
O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, quer mais medidas para restringir a circulação das pessoas elevando o isolamento social, que não passa de 43% em dias úteis e a meta é de 55%. Entidades empresariais alegam que não há como reduzir mais atividades
Com isso, formou-se o impasse na reunião nesta quarta-feira (22), chamada por Marchezan, para "dividir" com segmentos do comércio, restaurantes à construção civil a decisão sobre novas medidas.
O lockdown, que chegou a ser cogitado pelo município, foi descartado por hora, pois o prefeito disse que não decidirá sozinho sobre o fechamento. Na discussão com hospitais, no começo da tarde, alguns deles mantiveram a defesa da medida, como o Hospital de Clínicas, devido ao aumento de casos e à ocupação de 95% da capacidade das UTIs da instituição, com a maior oferta de leitos exclusivos para Covid-19.   
Na reunião com setores econômicos, ficou claro que não há prazo para reabrir as atividades não essenciais, que voltaram a fechar - aquelas que haviam sido retomadas -, em 7 de julho, portanto mais de 15 dias do que chegou a ser cogitado como prazo inicial de interrupção. Comércio de rua e em shopping center está parado. O prefeito insistiu que é preciso reduzir a pressão sobre leitos de UTI, comentaram lideranças empresariais que participaram da videoconferência. 
Nesta quarta-feira, as UTIs recuaram pela primeira vez desde a semana passada da ocupação acima de 90%. Parte porque houve abertura de 17 novas vagas no complexo Santa Casa. Parte porque houve altas de outras áreas não ligadas à Covid-19. Esta semana houve queda na velocidade de crescimento de doentes com o novo coronavírus, mas a prefeitura não considera que é garantia de menor pressão e teme que a estrutura colapse até o fim do mês ou começo de agosto. 
"Tomara que tenhamos a diminuição de demanda por leitos de UTI nos próximos dias, mas neste cenário não temos como liberar atividades econômicas”, disse Marchezan, em nota.
As entidades que estavam na videoconferência, que começou por volta das 16h e durou menos de duas horas, seguiram a linha do manifesto divulgado no domingo (19), contrário ao lockdown, apoiando ações para elevar o cumprimento de decretos. "Seria desastroso", advertiu o presidente do Sindilojas, Paulo Kruse, no fim de semana. 
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA), Irio Piva, comentou que, mesmo compreendendo os argumentos do chefe do Executivo, os setores não têm como fechar mais. 
"Ficamos de estudar alternativas para oferecer (ao prefeito). Vamos ter nova reunião nesta quinta ou sexta", informou Piva. O dirigente do varejo admitiu que é difícil a convergência. "Estamos cuidando da economia e ele da saúde. A gente acha que dá de trabalhar as duas coisas juntas, as empresas querem  colaborar", garantiu o presidente da CDL-POA. 
Um alivio, de certa forma, foi a retirada de cena do lockdown, que só deve voltar à mesa caso, após as novas conversas, não se consiga encontrar alternativas para elevar o isolamento. "O prefeito disse claramente que quer dividir a decisão sobre o que fazer", reproduziu Piva. 
A incerteza sobre a retomada ganha a cada dia um de desespero para as empresas. No decreto em vigor, até mesmo o Mercado Público, que antes podia abrir por lidar com alimentos, foi vetado. As opções de tele-entrega e take away (pedidos feitos por telefone ou telefone para retirada no local) têm gerado pouco fluxo. A cultura do complexo é do fluxo presencial, dizem os mercadores, que amargam grandes perdas.
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