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Agronegócio

- Publicada em 13h47min, 21/07/2020. Atualizada em 20h03min, 21/07/2020.

Aviões e pilotos agrícolas em alerta na fronteira para combater gafanhotos

Itagro, de Alegrete, é uma das empresas que pode combater os insetos

Itagro, de Alegrete, é uma das empresas que pode combater os insetos


Itago/Divulgação/JC
Thiago Copetti
Mais de 70 aviões agrícolas, além de dezenas de pilotos gaúchos, estão em alerta para entrar em combate rapidamente caso a nuvem de gafanhotos que segue próximo do Rio Grande do Sul ingresse em território brasileiro. Organizada pelo Sindicato das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), a ação cadastrou as aeronaves entre mais de 400 registradas no Estado e que, pela localização, podem entrar em ação na Fronteira Oeste, a partir de cidades como Uruguaiana e Alegrete.
Mais de 70 aviões agrícolas, além de dezenas de pilotos gaúchos, estão em alerta para entrar em combate rapidamente caso a nuvem de gafanhotos que segue próximo do Rio Grande do Sul ingresse em território brasileiro. Organizada pelo Sindicato das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), a ação cadastrou as aeronaves entre mais de 400 registradas no Estado e que, pela localização, podem entrar em ação na Fronteira Oeste, a partir de cidades como Uruguaiana e Alegrete.
O combate exigiria não mais do que dois ou três aviões no ar, mas quem subirá para atacar a praga vai depender da disponibilidade e o ponto de ingresso da nuvem no Estado. De acordo com o presidente do Sindag, Thiago Magalhães, a aplicação dos químicos normalmente é feita quando os gafanhotos estão no solo, parados, e chegam a ocupar uma área de 10 hectares. No ar, a nuvem, que se divide em mais de um grupo, pode alcançar uma área equivalente a 3 mil hectares.
“Por isso a preferência é pela aplicação de químicos em solo, no início da manhã ou final da tarde, quando estão unidos. E observando e respeitando o local onde estão parados, sobre que cultura ou próximo de que produção de alimentos podem estar. Tudo isso tem que ser observado”, detalha o presidente do Sindag.
Magalhães diz que o local onde os insetos param precisa ser analisada com cautela antes da aplicação dos defensivos, especialmente se for em áreas em que exista cidade há poucos quilômetros e mesmo plantações de frutas e hortaliças, especialmente em cultivos orgânicos.
“É uma operação delicada, mas para a qual temos planejamento, só que ainda precisa ser regulamentada pelo governo federal. Não cabe ao piloto e nem a empresa definir a quantidade a ser aplicada. Não cabe à iniciativa privada definir isso. É responsabilidade do Ministério da Agricultura, a quem estamos cutucando para que se mexa”, alerta Magalhães.
De acordo com o Sindag, técnicos do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) e representante das Confederações Rurais Argentinas (CRA) Martin Rapetto, os insetos teriam passado por Los Conquistadores, em direção à localidade de Federal nesta terça-feira.
A Senasa confirmou a entrada de uma segunda nuvem de gafanhotos na província de Formosa, no norte do país. Os insetos foram detectados na região de Guadalcazar, junto à divisa com o Paraguai. O Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes do Paraguai (Senave) também já havia informado ter localizado no dia 16, a mais de 300 quilômetros dali, uma nova nuvem, no Parque Nacional Defensores Del Chaco – no norte do país.
Ainda que a ameaça ronde o Estado há mais de um mês (os três estados do Sul estão em estado de emergência sanitária desde 25 de junho), mas se mantenha em território argentino, as condições climáticas ora favorecem o deslocamento para o Brasil, ora para o Uruguai. E agora foi confirmado pelo governo do Paraguai a formação de uma nova nuvem, também em deslocamento. Magalhães assegura que o setor está a postos e disposto a entrar em campo, mas alega que ainda está no aguardo de regrar melhor definidas e publicadas, como sobre quantidade de químico a serem usados, além de custos e coordenação logística de todo a operação.
“Encaminhamos um plano, pronto, com estudos científicos, embasando tudo, ao Ministério da Agricultura, e aguardamos a publicação ainda”, critica o presidente do Sindag.
Um dos pilotos que poderá entrar no combate aéreo é Marco Camargo, da Itagro, de Alegrete, que além de atividades ligadas ao agronegócio também já atuou em combate a incêndios de grandes proporções na região. Camargo igualmente critica a demora do ministério em regulamentar e publicar as regras para a ação, que pode ser necessária a qualquer momento.
“Os pilotos e as aeronaves estão sempre a postos, já que passam por revisões periódicas, que podem chegar a 12 em apenas seis meses, em alguns casos. O que falta é o Mapa definir o defensivo e as quantidades, e contratação prévia dos aviões, que tem custo elevado de combustível”, alerta Camargo, também diretor do Sindag/RS.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirma o recebimento de subsídios do Sindag para o controle de gafanhotos, "os quais foram oportunamente incorporados no manual de procedimentos". A Portaria 208, publicada em 30 de junho, estabelece, em seu anexo, as recomendações de uso e dosagens de produtos, bem como estabelece as diretrizes para elaboração do Plano de Supressão pela Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. "Estamos aguardando os estados apresentarem e publicarem o plano de supressão", diz o Mapa.

A situação atual

Argentina - nuvem de gafanhotos vinda do Paraguai chegou à província argentina de Corrientes - CLIMA - meio ambiente - agricultura
Altas temperaturas no RS propiciam maior mobilidade dos gafanhotos
SENASA/DIVULGAÇÃO/JC
  • Até segunda-feira (21), a nuvem de gafanhotos estava na província argentina de Entre Ríos, a 112 quilômetros de Barra do Quaraí, na fronteira com a Argentina, e com deslocamento acompanhado por fiscais da Secretaria da Agricultura.
  • As altas temperaturas que devem permanecer no Rio Grande do Sul pelo menos até amanhã (22) propiciam maior mobilidade dos gafanhotos, como foi observado no deslocamento da nuvem de cerca de 30 quilômetros apenas no último neste final de semana.
  • Os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina estão em estado de emergência fitossanitária desde 25 de junho por determinação do Mapa. A medida é preventiva e deve durar um ano. Os produtores podem obter mais informações pelo email: vigifito@agricultura.rs.gov.br ou pelo telefone (51) 3288-6289.
Fontes: Sindag e Secretaria da Agricultura
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