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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de maio de 2018.
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Entrevista

Notícia da edição impressa de 29/05/2018. Alterada em 28/05 às 18h49min

Brasil participará de evento internacional de negociação

Camile Costa espera que ocorram disputas regionais no ano que vem

Camile Costa espera que ocorram disputas regionais no ano que vem


/CLAITON DORNELLES /JC
Laura Franco, especial
A cada ano, em um local diferente do mundo, acontece a International Negotiation Competition (Competição Internacional de Negociação). O evento promove uma disputa entre graduandos de Direito, criando a oportunidade de qualificação a partir da atividade. O Brasil agora vai mandar sua equipe para a competição, após a realização de sua primeira edição nacional, o I Meeting Negociação. Com isso, se torna o primeiro país da América Latina a participar do evento. Em entrevista ao Jornal da Lei a fundadora do Meeting de Negociação, Camile Costa, explica como funciona a competição aqui e fala sobre o futuro do projeto.
Jornal da Lei - Como surgiu a ideia de trazer a competição para o Brasil?
Camile Costa - Começou com uma viagem que eu fiz, no ano passado, para Oslo (Noruega), na Competição Internacional de Negociação, que já existe há uns 16 anos. A ideia é que, por meio da disputa, as equipes de alunos possam ter uma oportunidade de aprender fazendo, no sentido de qualificação. São casos fictícios que eles recebem e se preparam para negociar com base nas técnicas de negociação, comunicação e relacionamento humano. Decidi trazer essa ideia para o Brasil e, com isso, nos tornamos o primeiro país da América Latina a levar uma equipe para a competição internacional. O diferencial é que aqui organizamos uma capacitação ampliada, com dois momentos qualificadores com a CMI, empresa que fundou o Harvard Negociation Project. Oferecemos esse treinamento aos alunos, levando em conta as normas necessárias para a competição internacional. Para os avaliadores, realizamos um treinamento a partir dos critérios de avaliação, além de esclarecer os objetivos do projeto e orientá-los sobre como dar o feedback aos alunos. Esses avaliadores são escolhidos com base em critérios de prática profissional e conhecimento teórico. Tivemos um número impressionante de 12 universidades do Brasil participando, contabilizando sete estados, 35 avaliadores, 80 alunos e 10 membros na comissão executiva.
JL - Qual a importância da negociação em um cenário como o do Brasil? Em que momento o advogado pode atuar em uma negociação?
Camile - A negociação acontece antes mesmo do conflito, está na criação de oportunidades e de fechar negócios. Havendo conflitos, ela entra como uma ferramenta de, antes de judicializar, as partes poderem conversar a respeito. É possível, por meio da negociação, obter a autorresponsabilidade, de realizar pessoalmente esses negócios. Além disso, para negociar, eu preciso me preparar, pensar no que quero, por que quero aquilo, então isso traz autoconhecimento. Muitas vezes, a causa do conflito é justamente não ter esse cuidado com a comunicação. Por fim, ao longo da negociação, vou perceber o que está funcionando ou não, e me adequar, e isso gera autocrítica. Esses três pilares - autoconhecimento, autorresponsabilização e autocrítica - é que trazem uma mudança cultural, porque se passa a ver a negociação como uma facilitadora das relações. No Brasil, onde se judicializa a maioria dos nossos conflitos, isso gera uma grande mudança. Os advogados têm dois momentos para atuar numa negociação: o momento da consultoria do seu cliente, construindo e melhorando as relações, chegando até contratos; e o momento do conflito, em que ele pode, antes de ajuizar uma ação, sugerir para o cliente negociar com o outro lado. Isso é o protagonismo e uma proatividade que deve partir do advogado: fazer o cliente pensar em outras possibilidades. Mais de 90% dos casos de negociação em conflitos viram novos negócios. De um conflito, eu abro o espectro, sou criativo, penso no que o outro quer, no que eu quero e por quê, e consigo possibilitar novos contratos e relações, potencializando o negócio.
JL - Qual a ideia de futuro para o projeto?
Camile - O que queremos fazer, e esse é o motivo de a OAB estar junto, é expandir e promover competições regionais seletivas, cujas equipes vencedoras competiriam na etapa nacional. A ideia é que as regionais aconteçam no final do segundo semestre para o começo do primeiro, porque a internacional é sempre no meio do ano, então a intenção é de que, em abril, maio, façamos a nacional. Todas as câmaras principais, instituições e a OAB entraram. Então, planejamos expandir, no próximo ano, com as regionais, para que não seja só para advogados, buscando uma maior integração disciplinar, porque a negociação está na capacidade humana, que transcende o Direito. Mostrando isso no Brasil, é possível que, na internacional, seja assim também.
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