Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, domingo, 29 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

COMENTAR | CORRIGIR

Responsabilidade Social

Notícia da edição impressa de 30/04/2018. Alterada em 27/04 às 18h13min

Em busca de novas medalhas

Alunos da Aldeia da Fraternidade, que competirão no Campeonato Nacional de Jiu Jitsu

Alunos da Aldeia da Fraternidade, que competirão no Campeonato Nacional de Jiu Jitsu


/fotos MARCO QUINTANA/JC
Pedro Carrizo
Aos que muito já caíram na vida e logo se levantaram, derrubar no tatame parece até uma tarefa fácil. Mas só parece. Há quatro anos, o Jiu-Jitsu se faz presente na rotina de crianças e adolescentes da Organização Não Governamental (ONG) Aldeia da Fraternidade, proporcionando vitórias que vão muito além dos três lugares no pódio. Nos dias 28 e 29 de abril, nove meninos e meninas de oito a 14 anos participaram do Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, representando a Aldeia da Fraternidade e os seus próprios anseios na vida esportiva. Se no mundial do ano passado, que aconteceu em São Paulo, eles foram os azarões do campeonato, nesta competição os olhares ficaram bem mais atentos aos jovens.
"Quando o esporte se iniciou, eu fiquei com bastante medo. A gente já identificava agressividade nas crianças, e pensei que Jiu-Jitsu só viesse aperfeiçoar essa característica. Ainda bem que estava errada", diz a coordenadora de Esporte e Lazer da instituição, Simone Lima. O esporte trouxe disciplina na sala de aula, resultados positivos no currículo, autoestima, confiança e autocontrole para os novos atletas, além de estimular o engajamento comunitário na região.
O primeiro sentimento de união veio após uma perda, quando o projeto que iniciou a arte marcial na Aldeia acabou da noite para o dia. O Jiu-Jitsu começou como iniciativa social de uma empresa privada, durou um ano e foi cortado abruptamente. Simone conta que um caminhão com funcionários chegou e recolheu tatames, kimonos, armário, máquinas de lavar e secar. "O impacto foi muito grande, as crianças chegavam para o treino enquanto o caminhão retirava os equipamentos." O mau momento fez com que a Aldeia buscasse recursos externos para um projeto próprio, que foi possível através de parceria com a Rede Parceria Social e convênios com a Fasc.
A partir da consolidação do esporte como projeto social da ONG, a comunidade teve grande importância para o primeiro Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu com a participação dos acolhidos, que aconteceu no ano passado. O trabalho começou seis meses antes, com venda de artesanatos, camisetas customizadas e rifas, para orçar os custos da inscrição e as passagens para São Paulo. Também foi feito um galeto solidário, com a participação dos pais e da comunidade, em que arrecadou-se um pouco mais para a viagem dos participantes - todas as ações se repetiram neste ano para a segunda competição na terra da garoa.
"Ficávamos a duas horas do ginásio. Uma distância de quatro metrôs e dois ônibus. O quimono chegava surrado, o lanche era o básico. Enquanto as outras crianças tinham patrocínio e bebiam energético, os nossos percebiam a disparidade social", diz a coordenadora. Porém, no escore final, quatro campeões mundiais e três vice-campeões retornaram para a Aldeia da Fraternidade naquele ano, provando a importância do esporte na transformação social.
As aulas de Jiu-Jitsu acontecem todas as tardes e, duas vezes por semana, no turno da manhã, na sede da instituição. Serão abertas inscrições para estudantes da rede pública assim que os competidores voltarem de São Paulo. A ideia é começar o engajamento pelas escolas da comunidade nos próximos meses.

Resultados positivos vão muito além dos tatames


MARCO QUINTANA/JC
Localizada no bairro Tristeza, na Zona Sul de Porto Alegre, cercada por verde e cheiro de mato, a Aldeia da Fraternidade mais parece um retiro espiritual do que uma casa de acolhimento às crianças em situação de vulnerabilidade. Porém o local atende diariamente 258 jovens em ações divididas, por três eixos: esporte e lazer, cultura e arte, e educação para sustentabilidade.
Este ano, em que a Aldeia comemora 55 anos, também marca a inauguração do berçário para crianças de quatro meses a um ano. A demanda veio das famílias da comunidade e foi contemplada por recursos da Secretaria Municipal de Educação, o que permite a chegada de mais 18 crianças nesta faixa etária.
Além disso, a instituição é reconhecida pela qualidade de seus jovens e adolescentes músicos, que participam do eixo Cultura e Arte. Violinistas, percussionistas, flautistas e muitos outros integram a orquestra da Aldeia, combatendo com arte as adversidades da vida e enchendo familiares de orgulho a cada apresentação. E elas não são poucas.
O eixo Educando para a Sustentabilidade também é uma ferramenta potente para a educação ambiental, colocando as crianças atendidas como protagonistas no ciclo dos alimentos consumidos na Aldeia. A ONG oferece quatro refeições diárias, mas a comida no prato é só o resultado final do trabalho. O ciclo começa na composteira, onde se forma o composto orgânico, passa pela qualidade da terra, pelo plantio nas hortas e estufas, até que culmina na colheita dos vegetais, para então chegar à cozinha.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia