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Porto Alegre, quinta-feira, 22 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Responsabilidade Social

Notícia da edição impressa de 19/03/2018. Alterada em 22/03 às 16h10min

Acadef é referência em recuperação

Instituição desenvolve tratamentos que superam as salas de recuperação

Instituição desenvolve tratamentos que superam as salas de recuperação


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Pedro Carrizo
Fundada e administrada por pessoas com deficiência, a Associação Canoense de Deficientes Físicos (Acadef) é um centro de assistência social destinado à recuperação de pessoas com deficiência. Há 34 anos na luta por políticas públicas de acessibilidade, a instituição serve como um modelo a ser seguido na área da saúde e da inclusão social.
Cerca de 300 pacientes são atendidos por dia na Acadef, através de convênios com o Sistema Único de Saúde (SUS). Localizada no bairro Nossa Senhora das Graças, em Canoas, a associação oferece infraestrutura moderna e atividades que extrapolam os consultórios e as salas de recuperação.
Tratamentos como fisioterapia, psicologia, nutrição, fonoaudiologia, terapia ocupacional, educação física, hidroterapia, serviço social e outras terapias alternativas são as formas de recuperação na área da saúde. Além disso, na área social, a Acadef capacita seus pacientes para inserção no mercado de trabalho quando a recuperação do paciente permite, por meio de empresas parceiras e política de cotas. A meta para 2018 é ampliar ainda mais o atendimento.
O CER III, projeto que busca contemplar as deficiências auditivas, intelectuais e físicas na área de atuação da Acadef, pode aumentar seu atendimento em 40%. Para isso, o grupo aguarda o certificado que lhe permitirá abranger os outros dois tipos de deficiência (auditiva e intelectual), e que já está em vias de ser liberado pelo Ministério da Saúde - solicitado na metade do ano passado. "Estamos contando os dias para chegar a documentação, se não conseguirmos até as eleições nacionais, será uma grande perda", diz o gestor dos serviços de saúde da Acadef, Jivago Di Napoli.
Enquanto o certificado não chega, a associação paralisa as obras da ala que reunirá as novas demandas. Já foram investidos cerca de R$ 1 milhão na construção, além de recursos privados usados na obra. Di Napoli esclarece que o CER III irá suprir um vazio existencial de atendimento.
"O projeto busca atender mais pessoas, com diferentes patologias, especialmente no tratamento da deficiência intelectual, mental e nos transtornos de autismo." Doações para a manutenção dessa possível nova ala, ou de qualquer outro serviço já existente da Acadef, podem ser feitas através do site www.acadef.com.br.

Piscina auxiliar no tratamento das PcDs

Eva, 77 anos, intercala as sessões de fisioterapia com a hidroterapia

Eva, 77 anos, intercala as sessões de fisioterapia com a hidroterapia


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Outro diferencial no tratamento às PcDs é a piscina hidroterápica, construída com recursos públicos e privados, em 2011, e mantida através de doações, que auxilia na evolução física dos pacientes. "A pressão hidrostática da água deixa o corpo leve, permitindo que a pessoa faça movimentos que ela não conseguiria fora d'água. Serve para todas as lesões agudas e crônicas, mas também dá bons resultados para crianças com paralisia cerebral", esclarece Di Napoli. Ele ressalta que esta é a única no Estado disponível para tratamento pelo SUS, e que o custo para manter a instalação é de R$ 46 mil ao ano.
Entre as beneficiárias da hidroterapia está  Eva Dutra de Oliveira, 77 anos, que frequenta a piscina duas vezes por semana, há dois meses, e já sente diferença. "Sinto dores na coluna, joelhos e ombros; mas, com a piscina, tenho notado melhora na minha mobilidade. Quando cheguei aqui, nem conseguia andar direito", diz Eva. Ela acessa há um ano e dois meses a Acadef, agora intercalando as sessões de fisio com o tratamento hidroterápico.
Além de Eva, muitos outros usufruem da piscina como forma de complemento na recuperação física. Alice dos Santos, de 7 anos, é uma delas. De acordo com a mãe da menina, Josiane dos Santos, sua melhora é de 200%. "Alice trata uma paralisia cerebral devido a complicações no parto. Ela está na Acadef desde os três meses e tem progredido muito, principalmente com as sessões de hidro." Alice também faz terapia ocupacional, atendimento com psicólogos e fisioterapia - tudo pelo SUS.
A instituição atende cerca 150 crianças e adolescentes por mês, de acordo com a fisioterapeuta Karine Menegaz, que acompanha Alice desde a chegada na Acadef. Segundo a especialista, a maior demanda são casos de deficiências do tipo paralisia cerebral. "Não existe um tratamento padronizado para este tipo de deficiência, as respostas são diferentes em cada paciente, por isso é importante um atendimento integrado com os outros setores."

Trabalho reconhecido com prêmios

Para Patrícia, premiação reflete a seriedade do trabalho realizado

Para Patrícia, premiação reflete a seriedade do trabalho realizado


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Por consequência do atendimento modelo que a instituição promove com as PcDs, a Acadef tem acumulado prêmios que reconhecem a importância de seu trabalho e lhe permitem ter mais visibilidade para investimentos. O último  foi o Top Cidadania da ABRH-RS de 2017, na categoria Organização sem fins lucrativos. A premiação consagrou o Projeto Cuidar, que busca resgatar a autoestima da pessoa com deficiência, indo até sua casa levar informações sobre associação e aproximá-la dos tratamentos e programas desenvolvidos pela mesma.
Para a presidente da Acadef, Patrícia Dutra Marcelino, a premiação reflete a seriedade e responsabilidade do trabalho. "Leva-nos a crer que estamos no caminho certo, oferecendo serviços de qualidade aos nossos beneficiários, parceiros e a comunidades que acessam gratuitamente a instituição há 34 anos", diz. 
Porém as barreiras arquitetônicas ainda são as maiores declarações de preconceito aos deficientes físicos, de acordo com o gestor dos serviços de saúde da associação, Jivago Di Napoli. Ele explica que as políticas públicas desenvolvidas desde a fundação da Acadef, idealizada justamente por pessoas com deficiência, buscam o direito de estar presente na sociedade, de utilizar os espaços públicos e ter acesso a serviços básicos de saúde. "Muitos terão que aprender a viver com a deficiência, por isso a importância desse local, que integra uma série de profissionais capazes de auxiliar nessa trajetória", conclui Di Napoli.
 
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