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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de novembro de 2016. Atualizado às 21h38.

Jornal do Comércio

Panorama

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DOCUMENTÁRIO

Notícia da edição impressa de 29/11/2016. Alterada em 28/11 às 16h52min

Filme mostra a trajetória da artista plástica Arminda Lopes

Cineasta Luzimar Stricher e artista Arminda Lopes

Cineasta Luzimar Stricher e artista Arminda Lopes


DIVULGAÇÃO/JC
Caroline da Silva
Para a série Conversa de Livraria (que já abordou Erico Verissimo, Mario Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Paixão Côrtes, Carlos Urbim, Maria Carpi, Jane Tutikian, Airton Ortiz e Alcy Cheuiche), a diretora Luzimar Stricher diz que o que lhe fascina e intriga é descobrir o que leva um escritor ou artista plástico a criar suas obras. “No caso da Arminda, também fiquei encantada com ela, uma mulher intensa, vibrante, linda”, comenta a realizadora responsável pelo documentário Arminda Lopes — A estética além da dor, em exibição na Sala Norberto Lubisco da Cinemateca Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736), na sessão das 17h30min.
Sendo a escultura nascida em Santa Maria a primeira artista visual documentada na coleção, Luzimar explica que decidiu manter o título pois considera adequado “Conversa de Livraria” também para este outro tipo de criação: “Meus documentários são biografias. Uma leitura em imagens da vida e obra dos retratados”.
O filme documenta a trajetória de Arminda da infância à maturidade. Menina na cidade do Centro do Estado, sonhava ser artista, desejo reprimido pelos preconceitos da época. Casada e mãe de quatro filhos, enfim iniciou carreira nas artes plásticas há quase 40 anos. Na última década, Arminda dedicou-se à trilogia A estética da dor. Composta pelas séries Perdas, Miseráveis e Estados da Alma, a trilogia materializa a dor em esculturas em bronze de cunho fortemente expressionista. Elogiada pela crítica, a série foi exibida nos principais espaços culturais do Brasil e também no exterior. A artista foi condecorada com a Medalha Vermeil, da Sociedade Acadêmica de Artes, Ciências e Letras de Paris, França, em 2007. Primeira mulher gaúcha neste feito, foi empossada na Cadeira Livre de Número 33, patronímica de Manoel da Costa Athayde, da Academia Brasileira de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 2013.
Entre os movimentos desmedidos, sorrisos incontidos, boinas e mechas coloridas nos cabelos, o espectador – pelos enquadramentos da câmera e pela própria fala da artista – compartilha com a diretora o encantamento com a intensidade e beleza da mulher Arminda Lopes. No filme, ela reflete: “Artista se expõe, sua vida, alma. O artista não tem que ter medo de nada, tem que fazer seu trabalho e só. Acho que isso eu cumpri”.
À reportagem do Jornal do Comércio, a biografada reconhece que, de início, a proposta de um filme sobre ela assustou: “Já me expunha muito através do meu trabalho, porque o trabalho do artista plástico é o espelho do momento da sua alma”. Com o tempo, Arminda entendeu que Luzimar tinha como foco principal um resgate da história de pessoas que fizeram parte da vida cultural do Estado. “Conhecer, conversar e entender o porquê de nossas escolhas… Tudo isso de nossa própria voz, ainda vivos.”
A diretora, por sua vez, confirma: “O documentário é a história dela, contada por ela, ouvida por mim”. Porém, Luzimar disse que a audição das narrativas foi feita com seu “ouvido de psicanalista”: “Ou seja, deixando-a à vontade, sem que ela se sentisse criticada ou invadida”. A escultora destaca que o processo de realização do filme foi difícil. “Tive que remexer no meu passado, nas minhas histórias, buscar fotos, rir e chorar. Com certeza, um penoso, mas agora gratificante”, conclui.
Além da voz da própria retratada, são entrevistados os especialistas Armindo Trevisan, Fábio Magalhães, Paulo Amaral e Cézar Prestes – segundo a diretora, sugeridos por Arminda, pois mantiveram contato com ela ao longo da carreira e conhecem bem a sua obra. Ainda é escutado o marido, Rui Lopes, que apoia seus ideais como escultura.
Para Arminda, a memória do artista é sempre instigante, avaliando que quando a procurou, a documentarista entrou num mundo muito diferente, em que não havia vivido até então: “O mundo do artista é um mundo mágico, muita imagem, um jeito diferente de viver. Ela se encantou e deu o melhor de si. Trouxe uma equipe de primeira”.
Projeto financiado pela Lei de Incentivo à Cultura (Pró-cultura RS), o longa da Stricher Filmes tem na equipe Bruno Polidoro e Fernanda Maria da Costa (captação de imagens), Alfredo Barros (montagem), Gabriela Bervian (captação de som), Kiko Ferraz (supervisão de som) e Everton Rodrigues (direção musical), entre outros.
“Na verdade, meu trabalho é a materialização do momento que vivo. Não preciso buscar ideias, elas estão sempre prontas e em quantidade, na minha cabeça e na minha alma, para serem materializadas. Já vivi muito, já vi muito, já gargalhei muito, já chorei muito. E ainda tenho muito para contar”, esclarece Arminda Lopes.
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