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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de novembro de 2016. Atualizado às 21h43.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 29/11/2016. Alterada em 28/11 às 21h38min

Opinião econômica: Presidente Temer, uma sugestão

Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa

Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa


/Fred Chalub/Folhapress/Arquivo/JC
Benjamin Steinbruch
John Fitzgerald Kennedy, o 35º presidente dos EUA, embora tivesse sido aluno de John Kenneth Galbraith, em Harvard, pouco sabia sobre economia. Certa vez, confessou ser incapaz de lembrar a diferença entre política monetária e fiscal.
Ao assumir a presidência, em 20 de janeiro de 1961, Kennedy nomeou o banqueiro republicano Douglas Dillon para a Secretaria do Tesouro. No Fed, o banco central dos EUA, colocou William McChesney Martin Jr, cujo papel definiu assim: o homem encarregado de "levar embora o jarro de ponche justamente quando a festa estiver começando", ou seja, frear a inflação que acompanhava o gasto público via aumento dos juros.
Já na Casa Branca, Kennedy foi estimulado por assessores, principalmente por Paul Samuelson (1915-2009), a adotar uma drástica redução de impostos. A ideia era que essa redução injetasse dinheiro na economia para incentivar a demanda com tanta eficiência quanto um eventual aumento dos gastos públicos.
Kennedy reagiu: "Acabei de fazer uma campanha com uma plataforma de responsabilidade fiscal e vocês vêm me dizer que a primeira medida a tomar será a redução de impostos?". Acabou, porém, aceitando a proposta e a enviou ao Congresso.
Conservadores e keynesianos foram contra o projeto. Os primeiros, por considerar temerário cortar tributos num momento de déficit. Os segundos, principalmente Galbraith, por entender que o corte de impostos seria uma forma reacionária de keynesianismo -ele preferia o aumento direto dos gastos públicos.
Esses momentos estão sucintamente descritos no livro "Keynes x Hayek", escrito pelo jornalista Nicholas Wapshott.
A proposta de Kennedy ficou parada no Senado até seu assassinato, em 1963. Lyndon Johnson assumiu a presidência prometendo manter o legado de Kennedy e conseguiu aprovar a redução de impostos em 1964. Wapshott observa que, "em quatro anos, ficou provado que os críticos da redução de impostos, à esquerda e à direita, estavam errados. A receita tributária federal subiu US$ 40 bilhões, o PIB cresceu 6,4% em 1965 e 6,6% em 1966. O desemprego caiu de 5,2% em 1964 para 2,9% em 1966, e a inflação manteve-se estável na faixa de 2% a 3% ao ano.
Os anos 1960, narra Wapshott, foram uma década de riqueza sem paralelo para os EUA. O trabalhador médio prosperou, comprou televisão em cores, pôs o segundo carro na garagem e Johnson fez uma espécie de Guerra contra a pobreza, com a criação do Medicare e do Medicaid.
Richard Nixon entrou na Casa Branca, em 1969, disposto a acabar com a gastança. Mas enfrentou logo uma pequena recessão e um aumento do desemprego e mudou o rumo. "Agora sou um keynesiano na economia", chegou a declarar, sob protestos de colegas republicanos. Milton Friedman, conselheiro de Nixon, disse certa vez que ele foi "o mais socialista dos presidentes dos EUA no século 20".
De fato, Nixon endossou medidas intervencionistas inimagináveis para um republicano conservador. E seu governo sofreu "um golpe mortal", observa Whapshott, quando sobreveio a primeira grande crise do petróleo, que quadruplicou os preços da gasolina.
Vieram então duas décadas em que o intervencionismo keynesiano foi declarado morto e enterrado. Até que, na grande crise de 2007/8, George W.Bush e, depois, Barack Obama salvaram o sistema financeiro com medidas escancaradamente intervencionistas.
Agora, Donald Trump, ultraconservador, está eleito presidente dos EUA e já prometeu baixar impostos. Certamente, não há uma única forma de pensar a economia e nem um único remédio para curá-la quando doente.
Diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa.
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