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CINEMA Notícia da edição impressa de 11/02/2016. Alterada em 10/02 às 18h37min

Rio Cigano, primeiro longa de Julia Zaka, estreia hoje

RAIZ DISTRIBUIDORA AUDIOVISUAL /DIVULGAÇÃO/JC
Diretora Julia Zakia também atua no longa Rio Cigano, que entra em cartaz na Capital hoje

Caroline da Silva

Em uma viagem pela poeira quente do Nordeste, atravessando terras e suas cercas de arames farpados, a diretora Julia Zakia mostra os hábitos e costumes de um povo itinerante e colorido, apaixonado por lendas e ouro. A história de amizade das meninas Kaia e Reka, encantadas pelos contos de lobas da avó Baka, compõe a narrativa fantasiosa de Rio Cigano, que estreia hoje, com exclusividade, no CineBancários (General Câmara, 424). São três sessões diárias, às 15h, às 17h e às 19h, com ingressos a R$ 10,00.
Em seu primeiro longa, a cineasta dá continuidade a uma pesquisa que começou nas filmagens do curta Tarabatara, um documentário sobre uma família cigana (Ferraz) do sertão de Alagoas. Além deste título de 2007, a roteirista e diretora formada em Cinema pela USP também foi premiada pelos curtas-metragens Pedra bruta (2009), A estória da figueira (2006) e O chapéu do meu avô (2004).
A produção da Gato do Parque, com distribuição da Raia Audiovisual, é inspirada na tradição oral cigana, e a reviravolta da trama se dá pelas visões da sábia anciã Baka, que lê a sorte na palma das mãos e prevê o futuro nas cartas. Seu tarô é o xodó da neta Kaia.
Durante uma viagem, as famílias nômades precisam atravessar a fazenda de uma Condessa. Após acertarem financeiramente a estada com o marido dela, dono das terras, são expulsos de lá. A aristocrata se vê ameaçada pelas visões da avó cigana, que não dá incentivo às suas loucas experiências para fugir de uma velhice precoce.
Em meio ao tumulto da retirada do local, Reka se perde do grupo e é encontrada logo pela figura que lembra muito a madrasta má dos contos de fada. A Condessa a torna sua serva, sugando sua juventude. Reka cresce absorvida pelo trabalho e pelo horror que a cerca. As duas meninas ciganas, separadas na infância, desenvolvem-se com destinos determinados pelas suas distâncias. No entanto, quando a avó de Kaia morre dormindo, a agora mulher tira uma carta que mostra um caminho e, assim, pega a estrada em busca de sua amiga de outrora.
Julia Zakia conta que o roteiro nasceu a quatro mãos, com Georgette Fadel, atriz reconhecida do teatro paulista e quem vive a Condessa e também Kaia adulta. "Tanto elementos da vida cigana de Alagoas quanto dos ciganos da Sérvia e Bálcãs, em geral, nos ajudaram muito", relata a diretora. "Apesar da distância geográfica, há muito em comum entre os ciganos daqui e de lá. Morei um ano na Europa e lá filmamos algumas cenas que estão no corte final do filme."
No longa rodado entre 2010 e 2011, finalizado em 2013, foram realizadas gravações em estúdio, no Polo Cinematográfico de Paulínia, e a maioria das externas com os ciganos foram feitas no Sertão de Alagoas. "É uma homenagem ao Rio São Francisco também. Tem cenas na Sérvia, Hungria e Eslováquia, onde filmei em Super 8 apenas com Georgette, numa viagem cinematográfica inesquecível", responde Julia, diretamente de Cataguases, onde estava fazendo a direção de fotografia de um curta de Sabrina Fidalgo, chamado Rainha, que tem como protagonista Ana Flavia Cavalcanti (a Carola, da novela Além do tempo, recentemente finalizada pela Globo). Ela destacou ainda que adora trabalhar com atores e escrever o roteiro já pensando em quem fará os personagens. Ela, que em alguns trabalhos fez somente a preparação de elenco, em Rio Cigano, encarnou a própria Reka adulta e assombrada.
Suas obras anteriores têm abordagens diversas e Julia afirma que, em seu perfil de realizadora, a faceta de documentarista ajuda muito a de diretora de ficção: "Na minha opinião, não tem como dirigir sem ter abertura ao olhar dos outros, generosidade nos encontros e saber aproveitar o acaso, presentes mágicos do set. Adoro trabalhar com os dois gêneros e, como fotógrafa, fiz também muito dos dois, ao longo desses 15 anos de profissão".
O título foi exibido em festivais importantes, como os de Tiradentes, Rio e a Mostra Internacional de SP, além da Mostra de Cinema e Direitos Humanos, por todo o País. "O filme foi bem recebido por onde passou, teve dois anos entre o primeiro festival e a estreia. Há pouca literatura e cinema sobre ou com ciganos, e muita gente que ama a cultura cigana. Recebi vários e-mails ao longo desse período, agradecendo por mostrar um outro ponto de vista sobre o tema, mais de perto e sem preconceitos", comemora a cineasta.
Julia reconhece que gosta de trabalhar com imagens e possibilidades que saiam do urbano, do realismo, do cotidiano no qual vive: "O rural, o sobrenatural, as lendas, o fogo e a poeira são muito bem-vindos pra mim. O feminino vem do fato de ser uma mulher criada por mulheres fortes e uma espectadora que sente falta de ver mais protagonismo feminino, e um olhar sobre o mundo que não se define pelo gênero, mas que, sim, vê outras potencialidades em nossa subjetividade. Temos todos muitas histórias pra contar".
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