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Jornal do Comércio

Panorama

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No palco

Notícia da edição impressa de 15/10/2015. Alterada em 04/07 às 15h03min

Além do Velho Guerreiro

Pedro Henrique Lopes vive o comunicador 
na fase jovem

Pedro Henrique Lopes vive o comunicador na fase jovem


CHICO LIMA/DIVULGAÇÃO/JC
Bruno Teixeira
Em casa, vestindo cuecas e de péssimo humor, Chacrinha é questionado pela imagem de sua juventude. Ele já não sabe mais até que ponto ainda é Abelardo Barbosa ou o personagem que criou.
No entanto, a irritação doméstica, consequência de um transtorno depressivo desenvolvido por sua cobrança excessiva, ficava em segundo plano quando vestia suas roupas extravagantes, empunhava a icônica buzina e interagia com as plateias e as câmeras. É a partir desses dois lados que Chacrinha, O musical conta a história do homem que se tornou um mito da televisão brasileira.
O espetáculo chega a Porto Alegre para duas sessões, amanhã e sábado, às 21h, no Teatro do Sesi (av. Assis Brasil, 8.787). Estrelado por Stepan Nercessian, a montagem conta a trajetória do Velho Guerreiro desde sua infância, no interior de Pernambuco, ao estrelato nas rádios e emissoras de televisão no Rio de Janeiro.
Peixes "voando" por cima da plateia, shows de calouros e Chacretes dançando - elementos onipresentes de programas como Buzina, Discoteca e o Cassino do Chacrinha - estão fielmente representados no musical. Artistas frequentes no programa, como Rosana, Gonzaguinha, Roberto Carlos, entre outros, reforçam o imaginário de que o espectador está em frente ao televisor. Para Nercessian, nunca mais houve ambiente igual na televisão brasileira. "Fico imaginando como é que ele agia, porque aquele cara controlava tudo e, ao mesmo tempo, não controlava nada", avisa, completando: "Realmente me sinto apresentando o programa".
Efeito semelhante ocorre quando o período de Chacrinha como radialista é retratado. No palco escuro, iluminado apenas o ator, o jovem Abelardo Barbosa cria elementos sonoros característicos de uma festa e apresenta artistas que fizeram parte da era de ouro do rádio, como Dorival Caymmi. Na fase da infância, o cenário formado por ilustrações características da literatura de cordel também constrói o mundo do pequeno Abelardo e suas descobertas.
Falecido em 1988, Chacrinha dizia que "veio para confundir e não para explicar", talvez por isso os elementos circenses e a linguagem popular, repleta de bordões e piadas, causassem estranhamento em parte da sociedade. Para o dramaturgo Nelson Rodrigues, o apresentador era um "Charles Chaplin subdesenvolvido". Porém, foram justamente esses elementos que fizeram o sociólogo francês Edgar Morin, após visita ao Brasil, na década de 1960, considerar o animador como um fenômeno da comunicação de massas.
De acordo com Nercessian, Barbosa era o centro de tudo, mas era o conjunto que fazia o seu programa diferente. "Ele tinha essa coisa de comandar a massa, essa empatia e a sensação de que aquele auditório estava todo na mão dele", afirma.
Interpretar Chacrinha é um desafio que fez Nercessian romper um período de 10 anos longe dos palcos. Após ter seu nome sugerido por Fernanda Montenegro para o papel, o ator precisou vencer a própria desconfiança de que conseguiria representar fielmente o comunicador. "Nunca imaginei que pudesse ficar parecido com o Chacrinha. Mas pensei: se ela (Fernanda) está dizendo, é porque existe uma chance de dar certo", lembra. 
Estudar a personalidade do Velho Guerreiro também foi o caminho encontrado pelo ator Pedro Henrique Lopes, responsável por viver Chacrinha durante a infância, adolescência e parte da fase adulta. "Ele tinha uma bipolaridade que me chama muito atenção, porque, da mesma forma que ele assumia o palco ou microfone no rádio, ele era muito inseguro", conta Lopes. O musical, com texto de Pedro Bial e Rodrigo Nogueira, marca a primeira direção teatral de Andrucha Waddington e o fim da trilogia Uma aventura brasileira, iniciada por Elis, A Musical e Se eu fosse você, o musical, promovida pela Aventura Entretenimento.
Os ingressos custam entre R$ 50,00 e R$ 100,00, à venda na bilheteria do Teatro do Bourbon Country (Túlio de Rose, 80), ou pelo site www.ingressorapido.com.br.
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