A falta de ônibus, as longas esperas nos pontos e as denúncias de redução de frotas marcaram o segundo turno das eleições presidenciais de ontem e levaram o ministro do STF Cristiano Zanin a prorrogar por duas horas a votação em todo o País, medida inédita desde a adoção das urnas eletrônicas. Eleitores relataram dificuldades para chegar aos locais de votação em cidades de diferentes regiões do País e o Ministério da Justiça identificou falhas em oito estados na oferta de transporte coletivo para os eleitores: Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas, Rio de Janeiro e Paraíba.
Os problemas motivaram ações na Justiça Eleitoral para reforçar o transporte e o PT pediu a ampliação do horário à Justiça Eleitoral na capital paulista e nas cidades baianas de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, sob a justificativa de que não foram disponibilizados ônibus para a população ir às seções eleitorais.
No meio da tarde, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, reconheceu dificuldades no transporte de eleitores, mas afirmou que o cenário estava sendo corrigido. Em 2022, quando blitze ilegais da Polícia Rodoviária Federal dificultaram a locomoção de eleitores principalmente no Nordeste, o TSE descartou estender o horário de votação.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, apresentou pedido ao TSE para ampliar o horário de votação em cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina por até 2 horas em razão das chuvas intesas que dificultaram o acessos dos eleitores às seções eleitorais, com deslizamentos, alagamentos e bloqueios de vias."Do outro lado da balança está o eleitor que, diante de rua alagada, teria de escolher entre a própria segurança e o voto. A proporcionalidade resolve-se em favor do eleitor", justificaram os advogados no pedido.
Atrasos na circulação de ônibus em Salvador nas primeiras horas da manhã levaram o PT a apresentar uma série de ações à Justiça Eleitoral. Em uma delas, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que está na França.
A prefeitura baiana, comandada por Bruno Reis (União Brasil), aliado de Flávio Bolsonaro (PL), diz que o secretário vai se apresentar às autoridades nesta segunda-feira (26). No primeiro turno, no dia 2 de outubro, o presidente Lula (PT) ficou com 65,26%, e Flávio com 27,03% na capital baiana.
Durante fiscalização, o Procon-BA informou ter encontrado 908 ônibus parados em nove garagens das empresas de ônibus. Bruno Reis atribuiu os atrasos à retirada de adesivos de propaganda eleitoral encontrados nos veículos nas garagens das empresas concessionárias.
Também foram registrados problemas nas travessias regulares de barcos entre a sede de Valença, no baixo sul da Bahia, e as ilhas da região neste domingo.
Pela manhã, eleitores relataram dificuldades para chegar aos locais de votação, com longas esperas e superlotação em pontos de ônibus de diversos bairros da capital baiana.
São Paulo
Eleitores relataram longas esperas por ônibus em terminais de diferentes regiões de São Paulo. No Terminal Metrô Corinthians-Itaquera, na zona leste, eleitores relataram espera superior a 1 hora e 30 minutos. Na zona oeste, passageiros relataram espera de mais de uma hora em linha do terminal Palmeiras-Barra Funda.
A SPTrans disse que agiu com agilidade e transparência para cumprir a ordem de disponibilizar toda a frota de ônibus na cidade de São Paulo. A empresa falou em desafios operacionais e disse que transmitiu a determinação judicial para todas as concessionárias assim que foi notificada pelo TRE-SP.
Nordeste
Eleitores de Sergipe também enfrentavam longas filas por ônibus gratuitos. O órgão estadual responsável atribui o problema à alta demanda de quem não votou no primeiro turno.
"Todos os carros que vêm do interior estamos colocando, deslocando, para que possam atender a Grande Aracaju", afirmou Everton Menezes, diretor de Transportes do DER-SE, em vídeo divulgado pelo governo estadual.
Em João Pessoa, a rodoviária ficou lotada de eleitores que reclamavam de falta de ônibus para o interior, e alguns desistiram após horas de espera. Na capital da Paraíba, Lula obteve 46,50% dos votos no primeiro turno, ante 45,67% do adversário.
Em Teresina, denúncia de falta de ônibus levou o TRE-PI (Tribunal Regional Eleitoral do Piauí) a determinar a recomposição imediata da frota e da frequência do transporte coletivo aos níveis de dias úteis.
Em Alagoas, o Ministério Público Eleitoral atuou por falta de vans e ônibus intermunicipais e cobrança de passagens por alguns operadores, e a Arsal diz ter remanejado veículos.