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Publicada em 04 de Outubro de 2026 às 23:06

Bancada gaúcha em Brasília tem 39% de renovação

Três partidos deixaram de ter representantes na Câmara Federal; PL dobrou vagas e agora tem oito deputados

Três partidos deixaram de ter representantes na Câmara Federal; PL dobrou vagas e agora tem oito deputados

Marcelo Casal/Agência Brasil/JC
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
A nova bancada gaúcha na Câmara dos Deputados contou com uma mudança que não fica apenas nos 39% de renovação entre os deputados eleitos, mas está marcada principalmente por uma reconfiguração na distribuição partidária na Casa. Ao todo a bancada saiu de 14 para 11 partidos, e dois partidos outrora tradicionais no Estado, PSB e PSDB, perderam representação no Parlamento, assim como o Cidadania. O PL, partido do governador eleito Luciano Zucco e do líder da votação nacional para presidente, Flávio Bolsonaro, dobrou o número de deputados federais, passando de quatro para oito.
Assim, a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro se tornou a maior sigla gaúcha na Câmara Federal. O resultado final saiu às 21h11min, com 100% das urnas apuradas.
O PT saiu de seis para cinco cadeiras; em conjunto com o PCdoB, que compõe a Federação PT-PV-PCdoB, se torna a segunda maior bancada.
A Federação União Progressista tem cinco assentos: quatro para o PP - um a mais que em 2022 - e um para o União Brasil. O MDB manteve o mesmo número da última legislatura, com três deputados; Podemos, PSD e Republicanos ficaram com duas cadeiras cada um; Novo e PSOL mantiveram suas vagas, com um parlamentar cada; e o PDT, que elegeu dois nomes em 2022, perdeu uma cadeiras e tem só um representante na Casa.
Com a maior bancada, o PL também teve o candidato mais votado: Maurício Marcon, que trocou o Podemos pela sigla bolsonarista, obteve 379.834 votos e foi reeleito. O segundo lugar também marcou uma reeleição: Fernanda Melchionna (PSOL) recebeu 280.262 votos. O terceiro mais votado é um nome tradicional da bancada: Giovani Cherini (PL).
A surpresa ficou por conta de Rony Gabriel, do Podemos: o ex-vereador de Erechim recebeu 223.643 votos e foi o quarto mais votado. A Câmara dos Deputados também verá a chegada de outros nomes que ainda não tinham sido deputados: o ex-prefeito de Bento Gonçalves, Diogo Siqueira; o ex-vereador de Porto Alegre Jessé Sangali e Perondi, candidato à prefeitura de Pelotas em 2024, os três compondo as fileiras do PL.
Outros candidatos ascenderam de cargos na Assembleia Legislativa. É o caso de Felipe Camozzato, do Novo, Gustavo Victorino (Republicanos), além de Vilmar Zanchin e Juvir Costella, ambos do MDB. O pleito também marcou a volta de Sérgio Zambiasi, agora pelo Podemos.

Nomes tradicionais permanecem, mas PSDB e PSB deixam de ter bancadas

Apesar dos azarões que marcaram a ampliação da bancada do PL na Câmara Federal, grande parte das legendas conseguiram reeleger nomes já tradicionais que já são conhecidos do eleitorado em diversas legislaturas.
O partido com menor renovação – e que não teve trocas na janela partidária -, foi o PT. Da sigla, foram reeleitos Maria do Rosário, Marcon, Valdeci, Bohn Gass e Denise Pessôa, que em 2022 havia sido eleita pela primeira vez, junto com Daiana Santos (PCdoB), que também foi reeleita na federação. O partido não viu a reeleição de Alexandre Lindenmayer, ex-prefeito de Rio Grande, que ficou na suplência.
Do PP, Afonso Hamm, Pedro Westphalen e Covatti Filho foram reeleitos e agora contam com a adição de Any Ortiz, que em 2022 era parte do Cidadania e também foi reeleita. Busato (União Brasil), que compõe a federação, foi igualmente reeleito.
O PSDB perdeu sua bancada, mas teve um ex-representante reeleito, Lucas Redecker, que trocou as hostes tucanas pelo PSD de Danrlei, que também conseguiu ficar por mais uma legislatura. Outro partido que deixou a casa foi o PSB, que perdeu seu único representante, Heitor Schuch. Já os pedetistas, que já foram um dos principais partidos da bancada gaúcha, não conseguiram reeleger Afonso Motta. Ficou Pompeu de Mattos como o único representante da sigla.

Os três deputados federais mais votados

Mauricio Marcon (PL) nasceu em Caxias do Sul em 1987. Ele é formado em Economia pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Concorreu a vereador pela primeira vez ainda em 2016 e a deputado federal em 2018. Em 2020, foi eleito o vereador mais votado de Caxias do Sul.
Marcon se candidatou a deputado federal, em 2022, tendo sido eleito com 140.634 votos – a 7ª maior votação do Rio Grande do Sul e a maior da história de um candidato da Serra Gaúcha. Em julho de 2024, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) cassou o mandato de Marcon por unanimidade, devido a uma acusação de fraude à cota de gênero pelo seu antigo partido (Podemos) nas eleições de 2022. O deputado segue no exercício de suas funções na Câmara dos Deputados porque a defesa apresentou recursos que permitem aguardar o julgamento final em instâncias superiores Ele agora se elege com o deputado estadual mais bem votado do RS, com 379.834.
Segunda candidata mais votada do RS para a bancada federal, Fernanda Melchiona (PSOL) nasceu em 02 de fevereiro de 1984 é bibliotecária formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), bancária licenciada pelo Banrisul e esteve como vereadora de Porto Alegre por 10 anos. Tanto em 2022 quanto em 2026, Melchiona foi a mulher mais votada para a Bancada Gaúcha em Brasília, com 280.262 votos.
Terceiro mais votado no RS, Giovani Cherini é presidente do Partido Liberal (PL) no RS. Nascido em 23 de junho de 1960, foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2011, tendo sido reeleito sucessivamente para as legislaturas outros quatro mandatos em sequência. Com a vitória deste domingo, ele emplaca o quinto mandato em Brasília. Ele recebeu 234.171 votos.

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