Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 05 de Outubro de 2026 às 00:25

Flávio Bolsonaro e Lula disputarão o 2º turno

Compartilhe:
Agências
O senador Flávio Bolsonaro (PL), 45 anos, vai enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80, no segundo turno das eleições deste ano, no próximo dia 25 de outubro. O filho de Jair Bolsonaro liderou a votação desde o início da contagem dos votos e, em boa parte da apuração, chegou a superar 50% dos votos válidos. Gradualmente, o petista foi reagindo.
Com quase 99,86% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tinha 2,3 milhões de votos à frente do petista, pouco mais de dois pontos percentuais  – marcava 47,06% dos votos válidos (que excluem os brancos e nulos), contra 45,12% do petista.
O desempenho do senador fluminense acompanhou a onda bolsonarista, com vitórias estaduais e no Senado sugerindo um domínio do PL e aliados.
Agora, Lula terá uma tarefa bastante difícil contra o filho do antecessor, que indicou seu primogênito como sucessor nas urnas, no fim de 2025.
Nos planos petistas, o presidente precisava de uma vantagem de alguns pontos para largar em posição mais confortável na segunda rodada. Ficar tão atrás não estava previsto nem nas projeções mais otimistas dos adversários – a força do nome do PL no Sudeste surpreendeu.
Pesam no resultado, além da evidente onda pró-Flávio, fatores ainda a serem analisados, como a abstenção em grupos específicos. Mas o voto à direita para o Congresso, que já era apontado em pesquisas, se mostrou um indicador forte.
Inicialmente recebido com descrédito até por aliados, tanto que não recebeu apoio formal e teve de sacar um vice desconhecido, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), Flávio consolidou-se rapidamente.
Seus rivais à direita, que tinham esperança de emergir como alternativas na polarização brasileira, fracassaram com índices abaixo dos dois dígitos durante toda a campanha. Sua desidratação aponta uma migração para Flávio já no primeiro turno.
Ficaram para trás ex-governadores bem avaliados como Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), além de uma figura saída do mundo das redes, Renan Santos (Missão). Quem insinuou um crescimento, o "outsider" Augusto Cury (Avante), logo murchou.
Para o eleitor, será o terceiro segundo turno com um Bolsonaro enfrentando um petista na urna eletrônica desde 2018, quando o deputado Jair conduziu uma vitoriosa campanha calcada na captura da centro-direita por retórica mais radical, após a implosão da política tradicional pela corrupção revelada pela Operação Lava Jato.
Até aqui, foi uma vitória para cada lado. Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad (PT) em 2018 e foi batido por Lula quatro anos depois.

Aposta no antipetistmo e crise no Supremo Tribunal Federal tiveram influência no resultado

Flávio Bolsonaro apostou no antipetismo e viu a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) respingar politicamente mais no presidente da República. O cancelamento do debate da TV Globo na quinta-feira passada, 1º de outubro, virou munição devido à interferência judicial de última hora nas regras do jogo.
O caso do Banco Master também desarrumou a casa da política, atingindo gente de toda coloração ideológica, mas foi Lula quem pagou mais pela associação com o ministro do STF Alexandre de Moraes, embora isso não pareça aferível em votação. É uma crise inconclusa, até porque Flávio é investigado sob suspeita de corrupção e evasão de divisas na relação com Vorcaro. O presidente, de seu lado, tem as apurações sobre negócios de seu filho Fábio Luís, o Lulinha, para incomodar, ainda que em grau indireto.
Na campanha do primeiro turno, Lula teve em seu favor a caneta. Reajustou o Bolsa Família em 15%, algo que só chegará à vida real agora para o segundo turno, e acabou por medida provisória com as bets, mirando um público feminino periférico importante.
A economia, em tese vendável por indicadores saudáveis de inflação e emprego, não lhe ajudou, cortesia de juros altos para tentar estancar efeitos da expansão de gastos em meio à degeneração das contas públicas.

Flávio deve receber apoio de Caiado e Zema

Do ponto de vista partidário, é previsível que o centrão vá de Flávio Bolsonaro no segundo turno, até por afinidade de identidade, enquanto MDB e o empoderado PSD busquem neutralidade com liberação de apoios individuais.
Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) deverão declarar voto anti-PT e reforçar a campanha do candidato do PL.

Notícias relacionadas