Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 04 de Outubro de 2026 às 21:45

Eleito senador, Van Hattem promete pressionar por impeachment de Moraes: 'Vamos colocar o Supremo no seu lugar'

Van Hattem voltou a defender a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte

Van Hattem voltou a defender a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte

MARCEL VAN HATTEM/DIVULGAÇÃO/JC
Compartilhe:
Eleito senador pelo Rio Grande do Sul neste domingo (4), Marcel van Hattem (Novo) colocou o enfrentamento a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no centro de seu primeiro discurso após a confirmação da vitória. O deputado federal conquistou 3.449.053 votos, ou 30,08% dos votos válidos, e ficou na segunda colocação, logo atrás de Sanderson (PL), que recebeu 3.453.316 votos (30,11%).
Durante a comemoração, Van Hattem voltou a defender a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte - citando Alexandre de Moraes - e celebrou o fato de chegar ao Senado ao lado de Sanderson.
"Eu sempre disse, antes mesmo de oficializar a candidatura, que preferia não ir para o Senado do que ir sozinho. Então estou indo para o Senado acompanhado do Sanderson para fazer o impeachment do Moraes", declarou.
Em outra manifestação após o resultado, o senador eleito afirmou que pretende aumentar a pressão da Casa sobre o Supremo. "Vamos colocar o Supremo Tribunal Federal no seu lugar", disse. Van Hattem também atribuiu o cenário que critica à falta de reação do Senado.
A eleição de Van Hattem e Sanderson também altera a composição da representação gaúcha no Senado. Os dois assumem em fevereiro de 2027 as vagas atualmente ocupadas por Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP). A terceira cadeira permanece com Hamilton Mourão (Republicanos), eleito em 2022 e com mandato até 2031. Com isso, o Rio Grande do Sul terá seus três senadores em partidos situados à direita do espectro político: Novo, PL e Republicanos.
Van Hattem e Sanderson terão mandatos de oito anos, até o início de 2035, enquanto a cadeira de Mourão voltará a ser disputada na eleição de 2030.

Dobradinha termina separada por 4,2 mil votos

O resultado também confirmou nas urnas a estratégia de campanha conjunta adotada por Van Hattem e Sanderson. A diferença entre os dois foi de apenas 4.263 votos e 0,03 ponto percentual, em um universo de mais de 3,4 milhões de votos recebidos por cada um.
A proximidade foi celebrada pelos dois grupos durante a comemoração. "Essa eleição está escrita nos anais da ciência política como a eleição mais incrível de dois votos na história do Brasil. Teve Sanderson e Marcel. Teve Marcel e Sanderson", afirmou Van Hattem em discurso aos apoiadores.
A parceria entre os dois havia sido enfatizada por Van Hattem ainda pela manhã, antes da abertura das urnas. Após votar, ele disse que a candidatura majoritária havia conseguido manter seus integrantes unidos durante a disputa e citou o crescimento simultâneo registrado por candidatos da chapa nas pesquisas da reta final.
Além da relação entre Senado e STF, Van Hattem apontou durante a campanha a dívida do Rio Grande do Sul com a União como uma das prioridades para o mandato. No primeiro pronunciamento depois da eleição, voltou ao assunto e afirmou que pretende atuar para rever a relação financeira entre Estado e governo federal.
O parlamentar também destacou o modelo de financiamento utilizado na campanha. Segundo Van Hattem, a candidatura não utilizou recursos públicos e recebeu contribuições de mais de 15 mil doadores. "Nós sabemos que, no início, muita gente desacreditava. Tinha muita gente que achava que uma campanha como eu fiz de novo, sem dinheiro público, não ia ser uma campanha viável", defendeu.

Do GNU à comemoração

Van Hattem começou o domingo demonstrando confiança na eleição. Pela manhã, após participar de um café no comitê de Luciano Zucco, afirmou ao Jornal do Comércio estar "muito otimista" com o resultado.
Mais tarde, votou no Grêmio Náutico União (GNU), em Porto Alegre, acompanhado da mãe e de um dos irmãos. Depois de permanecer cerca de 30 minutos na fila, afirmou estar de "alma leve, coração feliz", mas evitou antecipar o resultado das urnas.
Horas depois, com a eleição confirmada, Van Hattem comemorou ao lado de apoiadores e dos integrantes da chapa. Em cima de um carro de som, agradeceu à família, aos voluntários e aos suplentes Sergio Turra (PP) e Ricardo Jobim (Novo) e afirmou que o mandato deverá "servir ao gaúcho e ao brasileiro".

Notícias relacionadas