Atualizada às 20h10min - Com mais de 98% dos votos apurados, o candidato ao Senado Ubiratan Sanderson (PL) confirma vitória para uma das duas vagas do Estado. Marcel Van Hattem (Novo) assegura a segunda vaga. Sanderson se manifestou no começo da noite deste domingo (4), em coletiva à imprensa.
Um dos seus primeiros depoimentos foi apontar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como preso político e adiantar que irá abrir um processo de impeachment contra três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
Conforme Sanderson, esses ministros cometeram crime de responsabilidade. “Se os ministros deram sentenças com base em ativismo político, eles vão ter que responder agora por isso”, alerta o senador eleito. Ele sustenta que o STF deve ser apenas uma corte constitucional, não podendo agir “como uma delegacia de polícia”, fazendo a perseguição de pessoas.
Já quanto a Jair Bolsonaro ele frisa que essa questão terá que "ser resolvida no Congresso". Segundo ele, o ex-presidente foi condenado sem provas, com base em uma construção hipotética.
Outra promessa de Sanderson foi a de acabar com o foro privilegiado. "Só serve para proteger bandido", diz o futuro senador. Ele também frisou que, apesar de ter sido eleito por uma corrente política da direita, irá governar para todos os gaúchos, com um gestão focada "na paz".
Ele citou ainda seu crescimento durante a campanha, saindo de pesquisas que lhe davam 3% das intenções de votos, até ser eleito com uma expressiva margem. Depois de comemorar com seus apoiadores em seu QG de campanha, localizado no bairro Menino Deus, na capital gaúcha, Sanderson pediu para ser rezado um "Pai Nosso", em agradecimento a sua eleição.
O domingo foi agitado para o candidato eleito. Pela manhã, ele votou na cidade de Santo Ângelo. Depois, pegou um voo até Porto Alegre para acompanhar a apuração.
Antes de começarem a ser divulgados os primeiros votos, que já apontavam Sanderson e Marcel Van Hattem (NOVO) na frente da corrida pelo Senado, o candidato do PL afirmou, em entrevista para o Jornal do Comércio, que a expectativa era grande porque não se sabia qual seria o resultado das urnas.
"Trabalhamos e fizemos uma campanha muito forte, muito responsável, sem ataques, apenas mostrando os nossos propósitos e projetos", ressaltou. Na ocasião, também salientou a questão do endividamento dos produtores rurais gaúchos e a necessidade de enfrentar os ministros do STF.
"Muitos deles não têm a compreensão de que teriam que ser apartidários, imparciais e responsáveis nas suas decisões. Eles não fazem outra coisa a não ser politicar. Esse ativismo político no Poder Judiciário assusta a população como um todo e, por isso, um Senado novo tende a ser construído nessas eleições", criticou.
Político teve carreira na Polícia Federal antes de concorrer para cargo eletivo
FERNANDA BIGIO DAVOGLIO/JC
O futuro senador nasceu em Erechim em 1 de dezembro de 1969. Com três anos, mudou-se para Santo Ângelo – na Região das Missões – onde viveu até os 19 anos. Nessa idade, serviu no Exército em Santa Maria. Permaneceu na carreira militar por cinco anos e chegou a ser oficial de infantaria.
Depois da passagem pelas Forças Armadas, ingressou na Faculdade de Direito e, após se formar, passou em um concurso público para a Polícia Federal, onde permaneceu por 23 anos. Em 2002, foi transferido para Porto Alegre. Foi Presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Rio Grande do Sul entre 2012 e 2015.
Nas eleições gerais de 2018, concorreu pelo PSL a deputado federal a pedido do então candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro (na época, PSL; hoje PL). Em 2022, se reelegeu pelo PL. Na Câmara dos Deputados, foi presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.