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Publicada em 18 de Outubro de 2025 às 15:13

Governo Lula evita debate sobre aborto

Ministro aposentado do STF Luís Roberto Barroso pediu retomada do julgamento sobre descriminalização da prática

Ministro aposentado do STF Luís Roberto Barroso pediu retomada do julgamento sobre descriminalização da prática

Wallace Martins/STF/JC
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Agências
O governo Lula (PT) tenta manter distância do debate sobre a descriminalização do aborto após o voto do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso reabrir discussões sobre o tema. O presidente tem expressado preocupação em entrar em debates polêmicos que podem dar munição para a oposição e esgarçar sua retomada na relação com lideranças evangélicas.
O governo Lula (PT) tenta manter distância do debate sobre a descriminalização do aborto após o voto do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso reabrir discussões sobre o tema. O presidente tem expressado preocupação em entrar em debates polêmicos que podem dar munição para a oposição e esgarçar sua retomada na relação com lideranças evangélicas.
Na quinta-feira (16), horas após se encontrar com os bispos Manoel e Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, Lula discursou em Congresso do PCdoB sobre a relação do governo com o segmento religioso.
"A direita conseguiu colocar na cabeça do povo que todos nós defendemos o aborto de qualquer jeito e o povo não defende. Porque a direita passou para a cabeça do povo que todos nós que defendemos os direitos humanos queremos bandido fora da cadeia. A gente não sabe explicar isso", disse. O movimento coincide ainda com a possível indicação do diácono da Igreja Batista e ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), Jorge Messias, para a vaga deixada por Barroso no Supremo.
Caso a escolha seja por Messias — o favorito na corrida ao STF —, o governo tenta garantir o apoio de lideranças evangélicas ao seu nome. Em ocasiões anteriores nesta gestão, o governo Lula atuou para barrar uma resolução do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda) que estabelecia diretrizes para o aborto legal em menores de idade.
A estratégia de Lula é a mesma adotada em setembro de 2023, quando a então ministra do STF Rosa Weber votou no processo sobre aborto um dia antes de se aposentar do tribunal. Lula e seus ministros evitaram comentar o tema. Luís Roberto Barroso seguiu a mesma estratégia de Rosa. Em seu último dia no Supremo, pediu a abertura de uma sessão virtual extraordinária no tribunal e apresentou um voto extenso pela descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

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