O governo estadual defende que, embora o texto original fosse benéfico às finanças estaduais, os vetos tornam o programa mais prejudicial que o Regime de Recuperação Fiscal (RFF), ao qual o Rio Grande do Sul está vinculado atualmente. "Em vez de não pagar nada em 2025 e 2026, o Estado teria de pagar R$ 2,8 bilhões neste ano e R$ 3,6 bilhões no próximo. Em 2027, a parcela ficaria maior do que pelas condições atuais, com acréscimo de mais R$ 1,4 bilhão. Somando esses três valores, o prejuízo ao Estado chega a R$ 7,8 bilhões", estima a Secretaria da Fazenda.
O presidente Lula também reagiu aos comentários dos governadores. Durante evento em que sancionou a reforma tributária na quinta-feira, ele chamou os governadores de "ingratos" pelas críticas. Na ocasião, alegou que o Propag "foi uma coisa extraordinária. E os governadores que são os cinco maiores (devedores), que devem mais, que são ingratos. Porque deviam estar agradecendo ao governo federal e ao Congresso Nacional, mas alguns fizeram críticas porque não querem pagar. E, a partir de agora, vão pagar", disse.
Em resposta, o governador Eduardo Leite disse ser, sim, grato aos auxílios prestados pelo governo federal. "Mas nesse caso, especificamente, do veto que foi colocado neste projeto, ele impede o Rio Grande do Sul de acessar o programa. Então não adianta dizer que as condições são melhores, que vai passar de IPCA mais 4% de juros para IPCA mais 0% de juros. Em primeiro lugar, para acessar 0% de juros, tem que fazer um aporte, que como foram vetados outros dispositivos, como a antecipação de recursos do Fundo de Desenvolvimento Regional (FNDR), fica muito difícil alcançar", acrescentou.
A Secretaria da Fazenda também exerceu críticas por meio de nota enviada à imprensa. "A promessa era de melhorar os fluxos financeiros dos estados no curto prazo, proporcionando alívio imediato e maior previsibilidade na gestão fiscal. Essa ruptura de confiança penaliza os entes federativos que já enfrentam desafios históricos e compromete a credibilidade de futuras negociações entre estados e União, além de penalizar o povo gaúcho, que tanto sofreu com a calamidade", afirmou a pasta.