Entre 1995 e 2019, os prejuízos causados por eventos climáticos no Brasil somaram R$ 333,36 bilhões. A média seria de cerca de R$ 1 bilhão por mês. Os exorbitantes valores pontuaram a fala do segundo convidado, o professor do curso de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Jaime Federici Gomes. Com os índices, seu objetivo era claro: demonstrar que a prevenção e o planejamento de riscos é muito menos custoso do que a atuação governamental para o reparo dos danos causados por desastres naturais.
A partir disso, ele orientou os gestores sobre a necessidade de implementar estratégias de gestão de riscos de maneira integrada, entre governo, ONG's, entidades privadas e outros setores da sociedade. “Eles precisam não só cobrar, mas também implementar essas ações de maneira conjunta”, explica.
Para a elaboração desse planejamento, focando especificamente nas enchentes, o engenheiro sugere que os estudos levem em consideração uma análise de dados. A partir deles, sendo possível estimar potenciais de alagamento e referenciais levando em consideração os índices de vazão históricos dos cursos d’água. Com esses números em mãos, poderão ser, então, formulados planos de ações, contingência e monitoramento, que busquem segurança e resiliência nas localidades afetadas. “É importante analisar cada caso”, complementa Gomes.
As estratégias de resiliência climática são diversas. Do ponto de vista do monitoramento e da previsão, ele sugere o desenvolvimento de sistemas de alerta precoce, o monitoramento contínuo e o planejamento urbano sustentável, que inclui uma infraestrutura verde e um zoneamento adequado. Essas soluções podem auxiliar a sanar alguns desafios contemporâneos.
Uma das discussões mais realizadas após a catástrofe de maio diz respeito ao desassoreamento e a dragagem de rios que tiveram acúmulos de sedimentos causados pelas enchentes. Apesar da medida precisar ser realizada em alguns casos, ela não pode ser aplicada em todos os locais. Aliás, Gomes afirma não ser possível dragar tudo que se acumulou nos cursos d’água: “não há uma margem consolidada nesses rios e a mata ciliar está prejudicada. Além disso, esses dejetos precisariam ser levados para outros locais e licenciar isso é outro problema”.
Ainda há muito a ser feito: existem dificuldades no monitoramento atualizado e em tempo real, os planos diretores de drenagem urbana e de saneamento básico não possuem fiscalização efetiva, os sistemas de proteção contra cheias não passam por manutenções necessárias, há moradias em áreas de várzeas ribeirinhas sem proteção para eventos climáticos e até mesmo a Defesa Civil carece de qualificação, treinamento e implementação de recursos humanos. Nessas áreas, Gomes sugere uma atuação e uma atenção especial por parte dos gestores.