“A gente viu que não há mais área de risco, a gente passou por uma situação em que 90% dos municípios gaúchos foram afetados por enchentes. Tinham áreas que nunca tinha acontecido e em 2023 e 2024, foram atingidas. Temos que ter um pensamento preventivo e parar de pensar que nunca vai acontecer”, explicou em seguida a meteorologista da MetSul Estael Elisabete Kems Sias ao iniciar sua explanação.
Sua fala foi focada nas transformações climáticas que vêm sendo observadas em todo o globo terrestre. Na região Sul do Brasil, um dos exemplos apresentados por ela foi o aumento na frequência de ciclones, que não eram um fenômeno comum até 2004, mas passaram a se intensificar após a passagem do mais destruidor deles: o Catarina, que devastou o estado de Santa Catarina e a região Norte do Rio Grande do Sul. Para além dele, outros eventos climáticos extremos devem se tornar mais frequentes de acordo com a especialista.
O aquecimento global deve ser um fator impulsionador dos desastres. Estael relembrou que a projeção mais pessimista era de que em 2024 a Terra estivesse 1,5ºC acima da média histórica, mas que ela já foi superada e se encontra na casa de 1,6ºC. A nova projeção é de que possa chegar até a 2ºC. “Temos que parar de discutir se existem ou não mudanças climáticas e passarmos a enfrentar isso”, concluiu a meteorologista.
Analisando séries históricas, ela demonstrou que o El Niño de 2024 não foi o mais intenso dos vivenciados pelo Estado: em 1998 e em 2015, o fenômeno foi mais grave. No entanto, não houve nesses casos alagamentos e consequências mais drásticas. Isso, porque aliado ao El Niño, todos os demais oceanos também estavam mais quentes que o habitual, algo inédito de acordo com Estael. Assim, o evento se potencializou e se concentrou na região impactada.
Nesse cenário, a meteorologista chama atenção para a importância dos avisos preventivos. “Antes, quando emitíamos algum alerta, as pessoas nos acusavam de estarmos sendo alarmistas. Hoje, após tudo que aconteceu, elas entendem a importância disso e nos agradecem”, pontuou.