O gabinete do vereador Pablo Melo (MDB) foi alvo de busca e apreensão da Polícia Civil na manhã desta quarta-feira. A investigação ocorre no âmbito da operação Capa Dura, que investiga um possível esquema de fraudes licitatórias na Secretaria Municipal de Educação (Smed). O parlamentar é investigado como suspeito na intermediação de compras supostamente ilícitas.
De acordo com assessores parlamentares que presenciaram a ação, os policiais atuaram de maneira discreta, mas foram acompanhados pela imprensa. No local, encontraram membros da equipe do parlamentar. Ao saírem, levaram uma série de objetos presentes no gabinete, mas os itens não foram descritos pelos policiais uma vez que o processo tramita sob segredo de justiça.
O presidente da casa, Mauro Pinheiro (PP), foi comunicado durante uma reunião e manteve o assunto afastado das agendas do Parlamento até o final do encontro de líderes realizado por volta das 11h da manhã.
Na terça-feira, o parlamentar, que também é filho do prefeito reeleito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), foi afastado judicialmente de seu cargo por 180 dias. A determinação, no entanto, não havia chegado à Câmara Municipal até a publicação desta matéria.
Pablo acompanha de longe os acontecimentos, visto que viajou a Brasília na terça-feira para tentar solucionar outro revés judicial enfrentado por ele nesta semana: a manutenção do indeferimento de sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na capital federal, ele busca conversar com os demais membros do pleno da corte para que avaliem um agravo regimental protocolado por ele para reverter a decisão monocrática do ministro André Mendonça.
Em nota divulgada à imprensa, o parlamentar disse estar recebendo as informações do desenrolar da operação com "surpresa e indignação". Além disso, ele reclamou de não ter acesso aos autos do processo. "Tenho vida pública e partidária há mais de 20 anos, sem qualquer tipo de ação ou conduta que desabone minha trajetória. Caso isso seja confirmado, cumprirei a decisão, me colocando à disposição para qualquer tipo de esclarecimento", complementou.
Na rede social X, o prefeito se manifestou: "Espero que as investigações deflagradas apresentem as devidas provas, sejam céleres e façam justiça - e não se desencaminhem para questões políticas. Continuaremos em colaboração permanente com os órgãos policiais e de controle."
A investigação também afastou por 180 dias de suas funções públicas do ex-vereador Alexandre Bobadra (PL) que estava atuando como servidor da Polícia Penal e um assessor da Procuradoria-Geral do Município, que também atuou como chefe de gabinete de Pablo Melo. Além disso, foram presos um assessor do gabinete do prefeito e um ex-integrante da gestão Nelson Marchezan Júnior. Os nomes não foram divulgados.