Economistas e o Ministério da Fazenda lamentaram nesta segunda-feira (12) o falecimento de Delfim Netto, aos 96 anos. Para o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, o economista foi um dos mais importantes formuladores e executores de política econômica do País. "Ele tinha plena consciência de seu valor na economia brasileira e formou muitos economistas sabendo de seu papel", afirma Nóbrega. Já Armínio Fraga, sócio-fundador da Gávea Investimentos, disse que Delfim era uma "figura brilhante e multifacetada da cena nacional, e deixa abundante material para os historiadores".
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, disse que recebeu com tristeza a informação sobre a morte do economista Delfim Netto. "Fomos deputados no mesmo período histórico e estivemos na Comissão de Economia, espaço público em que havia um debate qualificado sobre as políticas de desenvolvimento nacional". Conforme Mercadante, apesar das divergências políticas e no próprio debate econômico, que tivemos ao longo da vida, Delfim Netto sempre teve compromisso com a produção e com o crescimento da economia. "Mesmo tendo sido um ministro destacado do regime militar - liderou o chamado “milagre brasileiro”. De acordo com Mercadante, Delfim apoiou o governo Lula em momentos importantes e desafiadores. "Como professor de economia, segundo Mercadante, Delfim Netto sempre teve profundo compromisso com a FEA/USP, onde fiz minha graduação. Neste momento de tristeza, manifesto meus sentimentos de pesar para todos amigos e familiares de Delfim, especialmente filha e neto".
Já o texto do Ministério da Fazenda lembrou que o economista "fomentou, ao longo de décadas, debates essenciais sobre a condução da política econômica brasileira". A nota da Fazenda ainda diz que Delfim Netto foi um referencial em diferentes fases da história do País. "Neste momento de luto, os servidores do Ministério da Fazenda manifestam respeito e solidariedade aos familiares e amigos de Delfim Netto", diz a nota.
Para Marcos Lisboa, sócio da Gibraltar Consulting, Delfim Netto era extremamente inteligente e erudito. Foi o primeiro de uma geração impressionante do Departamento de Economia da USP dos anos de 1950. Sua tese de livre docência sobre o café até hoje é uma obra de referência. Ele se preocupou com a dependência que o Brasil tinha nas exportações de uns poucos produtos com o café. Trabalhou para ampliar a pauta exportadora, motivando uma série de pesquisas sobre o tema. Inspirou estudos acadêmicos, e grupos de trabalho foram montados quando ele era ministro. Ali se entendeu que havia um problema de tecnologia e de solo. A opção foi enfrentar esse tema com a criação da Embrapa, o que levou o Brasil a ser essa potência que vemos hoje. Delfim teve papel fundamental nessa revolução".
Segundo Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, "o professor Delfim Netto foi uma liderança inspiradora para gerações de economistas. Generoso, lia tudo que publicávamos pela Instituição Fiscal Independente (IFI). O melhor economista que o País teve, entre tantos gigantes, sem dúvida. Tinha espírito público e é um dos construtores do Brasil moderno".
Folhapress