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MEMÓRIA

- Publicada em 14 de Junho de 2012 às 00:00

Morre na Capital, aos 82 anos, o ex-governador Amaral de Souza


JONATHAN HECKLER/JC
Jornal do Comércio
Durante o velório do ex-governador José Augusto Amaral de Souza, ontem, no salão Negrinho do Pastoreio do Palácio Piratini, uma característica, em especial, foi destacada por vários políticos gaúchos, de todas as correntes partidárias: a de que era um homem de grande disposição para o diálogo. Amaral de Souza faleceu na manhã de ontem, aos 82 anos, em decorrência de problemas de saúde originados por um AVC sofrido em 2006.
Durante o velório do ex-governador José Augusto Amaral de Souza, ontem, no salão Negrinho do Pastoreio do Palácio Piratini, uma característica, em especial, foi destacada por vários políticos gaúchos, de todas as correntes partidárias: a de que era um homem de grande disposição para o diálogo. Amaral de Souza faleceu na manhã de ontem, aos 82 anos, em decorrência de problemas de saúde originados por um AVC sofrido em 2006.
O secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento do Estado, Mauro Knijnik, que foi titular da Fazenda durante a gestão de Amaral (1979-1983), lembrou que seu governo já começou enfrentando uma greve dos professores. “Houve um diálogo muito adequado e, depois de muitas negociações, ambas as partes saíram de cabeça erguida. Eu tinha pouco mais de 30 anos e aprendi muito com ele, principalmente a ouvir”, recorda Knijnik, afirmando que o ex-governador deixa um legado. “Foi um homem de diálogo, íntegro, e que contribuiu muito para o desenvolvimento do Estado. O polo petroquímico é um exemplo típico.
Para o prefeito de Canoas, Jairo Jorge (PT), o contato com Amaral começou como funcionário, quando era jornalista da TVE. “Mesmo em tempos difíceis, ele foi um homem que honrou a democracia. Na época, o professor Jorge Furtado (pai do cineasta), grande intelectual, que já nos deixou, era o presidente da fundação (Piratini, gestora da TVE), e foi um dos momentos mais democráticos e plurais da história da TVE. E eu reputo isto à visão do Amaral de Souza. Independente de nossas divergências partidárias, era um homem que tinha uma visão de Estado”, observa o petista, citando que a luta pelo Trensurb começou em uma união política naquele momento.
Ney Ortiz Borges, vice-líder da bancada “do antigo PTB” - como faz questão de salientar - na Assembleia Legislativa no início dos anos 1960, foi colega de Amaral na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se tornaram amigos. Ortiz elegeu-se deputado federal quando Amaral assumiu uma cadeira no Parlamento gaúcho pelo “antigo PSD”. “Politicamente sempre fomos adversários, mas grandes e respeitosos amigos. O Amaralzinho (como era conhecido) deixa saudade”, diz o ex-deputado, enaltecendo a atitude do amigo que lhe fez uma deferência quando governava o Estado. “Eu era deputado cassado pelo golpe de 1964, quando ele me prestou uma homenagem, o que me deixou muito alegre”, confidencia. “Ele foi, além de um político honesto, um grande governador”, resume Ortiz.
Titular da secretaria da Saúde no governo de Amaral, Germano Bonow ressaltou que houve grande investimento na pasta que comandou, além de ter criado um departamento de meio ambiente com 300 técnicos para dar conta das novas demandas criadas pelo polo petroquímico. O sepultamento do ex-governador será hoje, às 10h, no cemitério João XXIII.

Fim da ditadura exigiu diálogo

Denise De Rocchi
Em seu primeiro ano à frente do Piratini, Amaral de Souza (na época da Arena) enfrentou a greve do magistério, a primeira durante o período da ditadura. Mais de 80 mil professores aderiram à paralisação e houve demissão de diretores de escolas, caso da professora Emília Fernandes, que a partir dali iniciaria sua carreira política até chegar ao Senado em 1994. O Cpers descobria sua força para pressionar o governo através de greves e sinetaços.
O momento em 1979 era de exaustão da ditadura, com um número crescente de manifestações contra o governo militar em todo o País. No Rio Grande do Sul, Amaral de Souza determinou o fechamento de um dos principais órgãos de repressão, o Dops - Departamento de Ordem Política e Social. Sua decisão de queimar os arquivos publicamente foi controversa e considerada por alguns uma tentativa de responder à insatisfação popular com o regime.
O presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, Jair Krischke, qualifica a ação de “farsa”, porque parte dos documentos que teriam sido destruídos foi localizada anos mais tarde em Montevidéu. “Os documentos foram microfilmados. O arquivo do Dops foi modernizado e entregue ao Comando Militar do Sul”, afirma.
No campo econômico, a criação do polo petroquímico de Triunfo é um dos fatos mais lembrados da atuação de Amaral de Souza no Palácio Piratini. A negociação iniciou durante o governo Sinval Guazzelli, de quem ele foi vice-governador. A execução da obra ficou ameaçada durante anos devido à dificuldade em obter financiamento internacional, num período marcado pela crise do petróleo e elevação dos juros. O polo somente seria inaugurado em 1983, no governo Jair Soares (na época do PDS). 
A eleição do sucessor, no primeiro pleito direto em muitos anos, é apontada como outra realização de Amaral de Souza. O principal oponente era o hoje senador Pedro Simon, líder do MDB no Estado. A disputa pelo Piratini tinha ainda Alceu Collares como candidato pelo PDT.
Após dias de apuração, Jair Soares venceu por uma diferença de apenas 1% do eleitorado, o que gerou muitas especulações de que Simon poderia ter vencido se o partido não tivesse abandonado a fiscalização da contagem de votos.  “Como não houve nenhuma investigação mais aprofundada, não há como saber se houve fraude. Esta história ficará como boato”, diz o cientista político Rodrigo Stumpf Gonzalez.
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