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Câmara de Porto Alegre

- Publicada em 01 de Abril de 2011 às 00:00

Ex-assessor confirma as declarações de Juliana Brizola


ELSON SEMPÉ PEDROSO/CMPA/JC
Jornal do Comércio
A CPI da Juventude da Câmara Municipal deu sequência nesta quinta-feira a série de depoimentos com a presença de dois ex-integrantes da Secretaria Municipal da Juventude (SMJ) entre dezembro de 2007 e 2009, período em que a pasta foi comandada pela deputada Juliana Brizola (PDT) e pelo seu marido, Alexandre Rambo (PDT).
A CPI da Juventude da Câmara Municipal deu sequência nesta quinta-feira a série de depoimentos com a presença de dois ex-integrantes da Secretaria Municipal da Juventude (SMJ) entre dezembro de 2007 e 2009, período em que a pasta foi comandada pela deputada Juliana Brizola (PDT) e pelo seu marido, Alexandre Rambo (PDT).
Ambos foram questionados sobre irregularidades no ProJovem - programa de qualificação profissional de jovens gerido pela SMJ com recursos do Ministério do Trabalho.
A hoje secretária municipal de Educação e ex-coordenadora do ProJovem, Cleci Jurach (PDT), e o ex-assessor jurídico da secretaria Jonatas Ouriques falaram sobre a contratação da Fulbra sem licitação para gerir o ProJovem. A fundação ligada à Ulbra substituiu a Fundae, da Universidade Federal de Santa Maria, no final de 2007.
Em novembro daquele ano, a Fundae foi afastada da gerência do ProJovem após divulgação do envolvimento da instituição na fraude do Detran, divulgada a partir da Operação Rodin da Polícia Federal. Na mesma época, o então secretário da Juventude, Mauro Zacher (PDT), deixou a pasta e foi substituído em dezembro por Juliana.
Os depoentes da CPI se contradisseram quando questionados sobre a assinatura da ex-secretária ao contrato com a Fulbra. Enquanto Cleci alegava ser muito provável que a ex-secretária tenha assinado o contrato emergencial, ocorrido no final de 2008, Ouriques defendeu que não houve a contratação formal para o período em que a fundação gerenciou de forma emergencial o programa, entre novembro de 2007 e maio de 2008.
Somente foi estabelecida uma parceria no mandato do interino na pasta, Paulo Roberto Pruss, que ficou no cargo entre a saída de Zacher e a posse de Juliana.
Ouriques assegurou que Juliana não teria assinado nenhum documento, em conformidade com o que a ex-secretária e atual deputada estadual alegou em seu depoimento na semana passada.
As tratativas para a formalização do contrato com dispensa de licitação teriam ocorrido na gestão de Juliana - entre dezembro de 2007 e abril de 2008 -, porém, a orientação para a dispensa de licitação foi da prefeitura e da Procuradoria-Geral do Município (PGM). A alegação foi baseada no artigo 24 da Lei de Licitação, que prevê que não é necessária a realização de processo licitatório em casos emergenciais.
Conforme os depoentes, Juliana de fato pediu a abertura de licitação. Contudo, devido ao afastamento da Fundae após a Operação Rodin, a prefeitura afirmou que não poderia esperar o novo processo, que demoraria cerca de cinco meses e interromperia o projeto, que estava por formar 15 turmas em outubro de 2008.
A contratação formal da Fulbra, em maio de 2008, foi chancelada pelo então titular da SMJ, Alexandre Rambo. O extrato contratual publicado no Diário Oficial de Porto Alegre foi apresentado a Ouriques durante a sessão, que lembrou que o ex-secretário assinou e incluiu o seu número de matrícula sobre o nome de Juliana no contrato, que no ato de formalização não se encontrava mais na secretaria. O ex-assessor sugeriu que os vereadores procurem a PGM para confirmar as informações.
Quanto ao pagamento antecipado de R$ 300 mil à Fulbra, antes do contrato formal, Ouriques assegurou que a secretaria foi orientada pela PGM. Conforme ele, o não pagamento consistiria em enriquecimento ilícito da prefeitura. "O serviço foi prestado e, portanto, deveria ser pago", sustentou Ouriques.

Jonatas Ouriques contesta repasse de R$ 179 mil

Outros assuntos abordados na CPI da Juventude desta quinta-feira foram o repasse de R$ 530 mil da Secretaria Municipal da Juventude (SMJ) para a Associação dos Moradores da Vila Tronco Neves (Amavtron) e a contratação de empresa de sonorização para evento da SMJ, ambas durante a gestão de Alexandre Rambo (PDT).
O ex-assessor jurídico da SMJ Jonatas Ouriques foi à CPI preparado para explicar o suposto aditivo ao projeto Quilombos da Juventude, realizado na Amavtron. Ouriques disse que não existiu termo aditivo de R$ 179 mil, o que teria sido um erro do Diário Oficial de Porto Alegre (Dopa). Em dezembro de 2008, o Dopa teria se retratado e tornado a publicação sem efeito.
Conforme ele, o repasse totalizou R$ 354 mil - tendo a dedução de impostos resultado em R$ 338 mil - em seis parcelas. "Quem errou não importa, mas sim que esse dinheiro permanece nos cofres da prefeitura."
Questionado sobre a possível indicação de 21 dos 27 servidores que fizeram o projeto Quilombos pela SMJ, ele afirmou que a entidade sempre fica responsável pelas contratações. André Fortes, acusado de pedir parte dos salários de assessores da SMJ em nome de Juliana Brizola, também serviu ao projeto da Amavtron.
Segundo Ouriques, teria sido uma indicação da associação, ao contrário do que alegou o presidente da entidade, Paulo Jorge, em seu depoimento à CPI. "Não existe isso de indicação. Se a secretaria se conveniou com uma entidade, é de competência da entidade escolher as pessoas."
O ex-assessor também foi questionado sobre a contratação da empresa DS Equipamentos de Sonorização. Em dois dias de evento, conforme ele, o valor pago foi de R$ 54,9 mil. Desse montante, R$ 40 mil foram direcionados às filmagens do evento, valor questionado pelo presidente da CPI, vereador Luiz Braz (PSDB). Ouriques disse ser um valor aceitável para o trabalho que foi realizado.

Relatório de Juliana Brizola evidenciou má gestão do ProJovem

A secretária municipal de Educação e ex-coordenadora do ProJovem, Cleci Jurach (PDT), confirmou em seu depoimento à CPI da Juventude nesta quinta-feira que a ex-titular da Secretaria Municipal da Juventude (SMJ) Juliana Brizola (PDT) realizou um relatório sobre a situação da pasta quando ingressou no cargo, em dezembro de 2007.
O documento explicitou que o ProJovem, que ainda estaria em uma fase experimental, foi mal administrado. Conforme Cleci, os coordenadores à época de Mauro Zacher (PDT), antecessor de Juliana, não tinham conhecimento administrativo, somente pedagógico.
Cleci relatou que as ferramentas de informática para o controle, como presenças e conteúdo das aulas, não eram utilizadas. Além disso, Porto Alegre era a única cidade que não havia criado o Conselho do ProJovem. Os alunos também não estavam recebendo o repasse de R$ 100,00 do programa. "Não se tratou de desvio, mas simplesmente de má gestão", ressaltou.
Cleci relatou que, na gestão de Juliana, a coordenação reviu o controle do programa, assim como recontou o número de turmas e de professores de acordo com o restante de alunos - devido à evasão, as 75 turmas foram reduzidas para 15.
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