Em um país que gera 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos, por ano, leia-se lixo, e que efetivamente recicla uma pequena porção — cerca de 8 % do lixo urbano coletado (Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2024, Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente) —, a reciclagem se revela como uma das dimensões mais urgentes para alcançar a preservação ambiental que escape da poluição, bem como da economia de recursos que o futuro exigirá de nós.
Do total de resíduos gerados no Brasil, a maior parcela, cerca de dois terços, é formada pela mistura de matéria orgânica (como restos de alimentos no geral), rejeito (material sem aproveitamento, como o lixo de banheiro) e a mistura destes dois com o lixo seco, que tem potencial para a reciclagem, mas perde o seu valor comercial quando é “contaminado” pelos demais.
O baixo índice de reciclagem tem como um dos fatores primordiais a falta de separação na origem, o que prejudica o aproveitamento de grandes quantidades de resíduos. O orgânico, por exemplo, pode ser reaproveitado de várias maneiras, como na compostagem e na geração de biogás. No entanto, devido à falta de política pública para este tema na imensa maioria das cidades brasileiras, o destino acaba sendo o aterro sanitário.
Ainda assim, apesar do baixo índice de reciclagem no geral, alguns materiais alcançam índices elevados de reaproveitamento no Brasil: nosso case de sucesso é o alumínio, com reciclagem que alcança 99% ao ano. Isso indica que a prática é viável quando bem orientada. Apesar da dificuldade que outros materiais enfrentam no caminho inverso do consumo, quando deveriam retornar para a origem, esta meta deve seguir sendo perseguida.
Do ponto de vista econômico, reciclar é reinserir recursos no ciclo produtivo, reduzir custos com a extração de novos materiais e diminuir impactos ambientais negativos. Do ponto de vista social, fortalece cadeias produtivas locais e amplia oportunidades de trabalho em diversas etapas, do catador na cooperativa ao empresário da indústria da transformação, com o transportador e vários outros profissionais envolvidos no processo - em um setor com potencial para seguir em expansão.
Portanto, além de responsabilidade individual, a reciclagem deve ser percebida como um vetor coletivo de desenvolvimento sustentável. Pequenas ações cotidianas — como separar adequadamente o lixo em casa — representam, quando multiplicadas pela sociedade, um passo concreto rumo a um modelo de economia mais circular e resiliente.


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