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Publicada em 29 de Outubro de 2026 às 18:18

O livro além do Centro

Roseni Siqueira Kohlmann, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro

Roseni Siqueira Kohlmann, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro

Eduardo Fernandes/Câmara Rio-Grandense do Livro/Divulgação/JC
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Andrea Bandeira
Roseni Siqueira Kohlmann

A formação de leitores pode nascer na escola, na biblioteca do bairro ou em uma história contada em família. Para muitas crianças e jovens, o primeiro contato com o universo dos livros depende de uma oportunidade que nem sempre está ao alcance: ter acesso a uma obra e descobrir o prazer da leitura.

Foi com essa perspectiva que a Câmara Rio-Grandense do Livro promoveu, neste ano, a segunda Feira do Livro da Restinga, na Zona Sul, e a primeira no Jardim Leopoldina, na Zona Norte de Porto Alegre. Mais do que levar uma programação cultural a outros pontos da cidade, essas iniciativas representam um compromisso com a formação de novos leitores.

A experiência da Restinga, iniciada em 2025, reuniu cerca de 4 mil pessoas em sua primeira edição. Em abril deste ano, o Jardim Leopoldina também recebeu sua feira, com encontros entre autores e estudantes, atividades literárias e espaços de convivência.

Quando o livro chega nestes territórios, as distâncias que muitas vezes separam as pessoas dos espaços culturais diminuem. O custo do deslocamento, a rotina das famílias e outras barreiras econômicas e sociais podem dificultar a participação em eventos realizados no Centro Histórico. Aproximar a feira dos bairros é reconhecer que o direito à leitura precisa ser exercido por todos, independentemente de onde vivem.

Além de facilitar o acesso às obras, as feiras de bairro criam oportunidades para que crianças e jovens se reconheçam como parte do universo literário. Quando essas experiências acontecem perto de casa, também mobilizam famílias, educadores e agentes culturais.

Esse movimento também ajuda a compreender o propósito da Feira do Livro de Porto Alegre, que chega à 72ª edição. O evento acontece entre 30 de outubro e 15 de novembro, na Praça da Alfândega, no centro da Capital. A grande feira e as iniciativas nos bairros não são experiências isoladas: fazem parte de um mesmo propósito, que é ampliar o encontro entre leitores e livros.

A leitura não deve ser um privilégio de quem pode chegar até ela. Precisamos criar caminhos para que os livros façam parte da vida das pessoas desde a infância, ampliando oportunidades de acesso à cultura, ao conhecimento e à educação. É assim que construímos uma cidade de leitores e mantemos viva a essência da Feira do Livro.

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