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Publicada em 28 de Outubro de 2026 às 18:13

O que mudou na cirurgia do câncer de mama

Sirlei Costa, cirurgiã plástica e mastologista

Sirlei Costa, cirurgiã plástica e mastologista

DIVULGAÇÃO/JC
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Sirlei Costa 

Muita gente, inclusive entre médicos de outras especialidades, ainda imagina a cirurgia do câncer de mama como ela era há mais de quarenta anos: a retirada da mama inteira, dos músculos do peito e dos gânglios da axila, com sequelas para o resto da vida. Essa imagem ficou para trás, e vale dizer isso com todas as letras em pleno Outubro Rosa.

O câncer de mama continua sendo o tumor que mais mata mulheres no Brasil, e o Instituto Nacional de Câncer estima 78,6 mil casos novos por ano até 2028. O que mudou foi a forma de tratá-lo. Em 1981, Umberto Veronesi mostrou, num estudo com 701 mulheres em Milão, que retirar só uma parte da mama e complementar com radioterapia dava a mesma sobrevida da cirurgia radical. Bernard Fisher chegou a um resultado semelhante nos Estados Unidos poucos anos depois. Desde então, a medicina vem aprendendo a tirar menos.

Sou cirurgiã plástica e mastologista, e sigo o princípio de que a cirurgia tem que tratar a doença e mutilar o mínimo possível. Não adianta poupar tecido na retirada do tumor e deixar a paciente com uma deformidade que ela vai carregar depois. Por isso, defendo que mastologista e cirurgião plástico planejem o tratamento juntos desde o início, mesmo quando a reconstrução fica para um segundo momento.

Com retalhos do abdômen ou das costas e com as próteses, é possível reconstruir a mama quando a retirada é inevitável. A escolha da técnica depende da anatomia de cada paciente e do tratamento que vem depois. Em muitos casos, a mulher termina o tratamento oncológico com um resultado estético bom, e isso conta na recuperação dela.

Há um ponto, porém, que ainda discutimos pouco, a sensibilidade da mama. Já ouvi colegas dizerem que não é prioridade. Discordo. Preservar a sensibilidade, sempre que a segurança oncológica permitir, é cuidar da mulher que vai viver com aquela mama pelas próximas décadas. O assunto deveria entrar na conversa com a paciente antes da cirurgia.

É sobre isso que falei no sábado (24) na Sessão Científica da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. A plateia reuniu médicos de várias áreas, e me parece justo que todos saibam o que a cirurgia da mama pode oferecer hoje. Em algum momento, a paciente pode ser a mulher, a irmã ou a prima de um deles.

Cirurgiã plástica e mastologista

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