Carina Falcão
Quanto mais competitivo é o processo seletivo, menor é o espaço para uma preparação baseada apenas em esforço e volume de estudo. A dimensão desse desafio aparece nos números. No QS World University Rankings: Latin America & The Caribbean 2027, a Ufrgs está entre os top 20, ocupando a 19ª posição entre 517 instituições avaliadas. USP, Unicamp, UFRJ, Unesp e UFMG também figuram entre as 15 primeiras da região.
O nível de competição para o ingresso em universidades de excelência não permite amadorismo na preparação do candidato. No Vestibular Ufrgs 2026, Medicina registrou 65,56 candidatos por vaga; Psicologia chegou a 25,43, e Fisioterapia, a 21,57. Na UFCSPA, pelo SiSU 2026, as notas de corte em ampla concorrência alcançaram 811,22 pontos em Medicina, 759,90 em Psicologia e 756,80 em Biomedicina.
Os dados mostram por que alto desempenho não depende apenas do número de horas de estudo. Uma preparação consistente exige estratégia. Começa pela definição das universidades e dos cursos prioritários e passa pelo conhecimento dos editais, dos modelos de prova e do desempenho necessário para disputar essas vagas. O planejamento precisa ser dinâmico. Se os erros se concentram em determinado conteúdo, ele deve ganhar espaço no cronograma. Se a dificuldade está na gestão do tempo, é preciso treinar essa habilidade. Se a redação não evolui, aumenta-se a frequência de produção, correção e reescrita. O resultado de cada etapa deve orientar a seguinte.
Para candidatos que buscam alto desempenho, os grupos de estudo vêm ocupando o espaço dos cursos preparatórios tradicionais, organizados em grandes turmas. A principal diferença está na possibilidade de um acompanhamento mais próximo e especializado por parte do educador. Em grupos reduzidos, é possível identificar com maior precisão as dificuldades de cada estudante, acompanhar sua evolução e direcionar intervenções conforme as necessidades individuais. O resultado é uma preparação menos massificada e mais orientada pelo desempenho de cada aluno.
Para o ingresso em uma universidade de excelência, estudar mais não significa necessariamente estudar melhor. Cada vaga é disputada entre os melhores, os mais bem preparados. Entre candidatos que já entenderam que alto desempenho não se alcança fazendo o mesmo que os demais. Demanda estratégia e acompanhamento compatível com esse objetivo.
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