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Publicada em 09 de Outubro de 2026 às 14:00

O que uma criança precisa receber neste Dia das Crianças

Laina Brambatti, coordenadora pedagógica da Escola de Educação Infantil Cataventura

Laina Brambatti, coordenadora pedagógica da Escola de Educação Infantil Cataventura

DIVULGAÇÃO/JC
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Laina Brambatti

No Dia das Crianças, presentes e passeios costumam ocupar o centro das atenções. Mas a data também pode nos levar a uma pergunta mais íntima: quanto espaço temos oferecido para que cada criança exista como ela é?

A infância ainda é tratada, muitas vezes, como uma etapa menor da vida. Usamos até a palavra “infantil” para desqualificar comportamentos adultos. Esse olhar atravessa relações: falamos pela criança, apressamos seu tempo ou esperamos que corresponda ao personagem que imaginamos para ela.

Respeitar uma criança não significa entregar a ela decisões que pertencem aos adultos. Significa considerar sua experiência, permitir que manifeste desagrado e preservar seu pertencimento durante um conflito. Uma criança pode ser contrariada sem ser desrespeitada. Cabe ao adulto sustentar limites, permanecer diante da frustração e ajudá-la a reconhecer o que sente, sem torná-la responsável pelo equilíbrio emocional da família.

Essa relação se constrói em gestos pequenos. Pedir licença antes de tocar seu corpo ou retirar um objeto de suas mãos. Contar como será a rotina. Explicar que o cansaço ou a preocupação do adulto não são responsabilidade dela. Reservar um momento de escuta inteira, sem celular, televisão ou conversas paralelas.

Também é importante confiar em suas capacidades. Arrumar a mochila, cuidar do próprio corpo ou participar de uma tarefa da casa são experiências que comunicam: “Você importa e eu acredito em você”. A independência, porém, precisa caminhar com a responsabilidade. Autonomia nasce quando a criança encontra liberdade proporcional às suas possibilidades e aprende que vive entre outras pessoas, igualmente dignas de cuidado.

Talvez uma das homenagens mais profundas neste Dia das Crianças seja rever o lugar que ocupamos. Estar na vida de uma criança não é ocupar toda a vida dela. É oferecer segurança, limites que protegem e abertura para que seu modo próprio de existir possa aparecer.

Celebrar a infância é reconhecer que a criança não é apenas alguém que um dia se tornará adulto. Ela já é uma pessoa inteira no presente. E precisa encontrar, nas relações mais próximas, a coragem dos adultos para acompanhá-la sem decidir antecipadamente quem ela deve ser.

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