Alexandre Elman Chwartzmann
Em 11 de setembro de 2001, eu estava com a minha mãe na sala de espera de um consultório quando a vi levar as mãos ao rosto diante da televisão. Vinte e cinco anos depois, é provável que você também lembre onde estava naquele dia.
Mas talvez não lembre onde estava em 7 de outubro de 2023. Não se trata de comparar tragédias, e sim de perguntar por que uma entrou na nossa memória e a outra, três anos depois, ainda parece pertencer sobretudo a quem estava lá.
Naquele dia, o Hamas e outros grupos terroristas atacaram comunidades civis e bases militares no sul de Israel. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 foram levadas como reféns para Gaza, entre elas crianças, idosos, famílias inteiras e jovens que estavam em um festival de música, no que se tornou o dia mais sangrento para os judeus desde o Holocausto.
Aquele foi um divisor de águas para judeus do mundo todo, inclusive aqui. Mudou a sensação de segurança, a forma de frequentar sinagogas, escolas e eventos e até a disposição de tornar pública a própria identidade. Em 2024, uma pesquisa do Instituto Brasil-Israel e do Instituto Ideia mostrou que 80% dos entrevistados tinham ouvido falar dos ataques, mas 55% não souberam definir o que é antissemitismo. E o relatório de Antissemitismo no Brasil 2025 divulgado no início deste ano pela Conib (Confederação Israelita do Brasil) mostra que houve uma alta de 150% no número de casos de preconceito contra judeus registrados no País.
Nada disso exige concordar com o governo israelense ou negar o sofrimento de palestinos em Gaza causado pela guerra que veio depois. Contexto e responsabilidades podem e devem ser discutidos. O problema começa quando a explicação vira condição para reconhecer a vítima. É possível reconhecer o sofrimento dos palestinos e afirmar que o assassinato deliberado de civis israelenses foi inaceitável. É possível criticar o governo de Israel sem cobrar essa conta do seu vizinho judeu. Uma coisa não exige negar a outra.
Há 25 anos, um atentado a milhares de quilômetros daqui mudou a forma como viajamos e percebemos o mundo. Lembrar o 7 de outubro, para quem não estava lá, não exige tomar partido no conflito. Exige não aceitar, aqui, que alguém seja hostilizado por ser judeu. Tenhamos ou não razões pessoais para lembrar, importar-se com vidas inocentes é um dever de todos.
Continue sua leitura, escolha seu plano agora!