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Publicada em 18 de Outubro de 2026 às 11:00

Ninguém faz medicina sozinho

Fábio Cunha de Andrade, presidente da Unicred Integração

Fábio Cunha de Andrade, presidente da Unicred Integração

Luis Bisol/Divulgação/JC
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Fábio Cunha de Andrade
Fábio Cunha de Andrade

Quando decidi ser médico, foi uma escolha muito pessoal. Naquele momento, eu ainda não sabia quantas outras decisões viriam pela frente, da formação à especialidade e aos rumos da carreira. Com o tempo, aprendi a lidar com a responsabilidade de cada uma delas. Também percebi que, na medicina, nada do que construí de mais importante foi feito sozinho.

Essa percepção começou ainda na formação. Na faculdade, foram professores e colegas que me mostraram o valor da troca. Na residência, vieram as dúvidas compartilhadas e as jornadas intensas. Mais tarde, na prática profissional, passei a fazer parte de equipes em que cada pessoa contribui com seu conhecimento. Ou seja, mesmo quando a decisão final cabe ao médico, há uma rede de competências que sustenta aquele momento.

Na minha caminhada, aprendi a valorizar essas relações. A medicina exige estudo contínuo e também disposição para reconhecer que o olhar de outro profissional pode ampliar o nosso. Em situações complexas, essa troca não diminui a autonomia do médico. Talvez uma das maiores demonstrações de maturidade profissional seja reconhecer quando o olhar do outro pode ampliar o nosso.

O paciente também faz parte dessa construção. Em cada consulta, estabelecemos um vínculo no qual conhecimento técnico e escuta caminham juntos. Afinal, não tratamos apenas exames, sintomas ou diagnósticos. Cuidamos de pessoas que chegam até nós com suas histórias e seus receios.

A dimensão coletiva da medicina ultrapassa o consultório. Instituições, hospitais, sociedades médicas e organizações que acompanham o profissional ao longo da carreira também ajudam a criar condições para que ele exerça a medicina e planeje seu futuro.

Por isso, vejo afinidade entre a medicina e o cooperativismo. Nos dois casos, a autonomia individual convive com a construção conjunta. Cooperar não significa abrir mão das próprias decisões, mas entender que compartilhar conhecimento e responsabilidades fortalece o que construímos juntos.

Celebrar uma profissão também é reconhecer as relações que a tornam possível. A medicina sempre começa com uma escolha individual, mas ganha força quando conhecimento, confiança e responsabilidades são compartilhados. Ninguém constrói essa trajetória sozinho.

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