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Publicada em 03 de Outubro de 2026 às 18:22

O crédito além das vias tradicionais

Marcio Aguilar, presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Comercial – Factoring do Estado do Rio Grande do Sul (Sinfac-RS)

Marcio Aguilar, presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Comercial – Factoring do Estado do Rio Grande do Sul (Sinfac-RS)

Lucas Saporiti Fotografia/Divulgação/JC
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Marcio Aguilar
Marcio Aguilar

Os dados da indústria de fundos de investimento no primeiro semestre de 2026 chamam a atenção. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a captação líquida chegou a R$ 184,7 bilhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025. Foi também o segundo melhor resultado para o período nos últimos cinco anos. Mas a principal leitura está no que esse volume revela sobre o caminho do crédito no País.

À primeira vista, parece uma notícia restrita ao mercado financeiro. No entanto, ao observar quais estruturas ganharam força, o tema se aproxima de uma discussão concreta: como o capital chega às empresas e aos setores que sustentam a economia.

Esse movimento aparece nos fundos estruturados. No semestre, os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) tiveram captação líquida de R$ 32,1 bilhões, enquanto os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) registraram entrada de R$ 30,6 bilhões. Instrumentos distintos que demonstram a ampliação da presença do mercado de capitais fora das vias tradicionais de financiamento.

Nos FIPs, a conexão ocorre pela participação em empresas e projetos, com foco no médio e longo prazo. Já os FIDCs se aproximam da operação das empresas, pois estão ligados a direitos creditórios, recebíveis e relações comerciais originadas de vendas e serviços.

É nesse ponto que o dado ganha outra dimensão. A captação dos fundos não representa apenas movimentação de recursos entre aplicações. Sinaliza que há capital buscando estruturas capazes de financiar a economia por diferentes caminhos, seja pela participação em empresas, pelo crédito ou pela transformação de recebíveis em liquidez.

Para as empresas, esse movimento amplia alternativas. Para o mercado, indica maturidade. E, para o setor produtivo, reforça que o acesso a recursos depende cada vez mais da capacidade de direcionar capital disponível a operações ligadas à atividade produtiva.

O resultado do semestre, portanto, não deve ser lido apenas como um retrato positivo da indústria de fundos. Ele mostra que o financiamento às empresas vem se diversificando. Nesse processo, os fundos estruturados ganham relevância não pelo volume isolado, mas pela capacidade de aproximar investidores, empresas e desenvolvimento econômico.

Presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Comercial – Factoring do Estado do Rio Grande do Sul (Sinfac-RS)

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