Vera Armando
Quem já olhou nos olhos de um animal abandonado sabe que é impossível enxergar apenas um número. Há medo, fome, dor e, muitas vezes, uma espera silenciosa por alguém que talvez nunca chegue.
Nas ruas das nossas cidades, cães e gatos enfrentam frio, chuva, doenças, atropelamentos e maus-tratos.
Alguns foram abandonados depois de anos vivendo dentro de uma casa. Outros nasceram nas ruas e nunca conheceram o carinho de uma família. Todos dependem das escolhas que nós, seres humanos, fazemos.
A causa animal precisa deixar de ser lembrada apenas diante de casos de abandono, maus-tratos ou tragédias. Ela precisa estar todos os dias entre as prioridades do poder público, com prevenção, estrutura, fiscalização e políticas capazes de proteger vidas.
Cuidar dos animais não é uma pauta menor. É uma questão de saúde pública, educação, segurança e responsabilidade coletiva. Mas é, principalmente, uma questão de humanidade. A forma como uma sociedade trata aqueles que não conseguem se defender sozinhos diz muito sobre os valores que ela escolheu preservar.
Não basta recolher um animal quando a situação já se tornou desesperadora. É preciso prevenir. Isso significa combater o abandono, fiscalizar e responsabilizar quem pratica maus-tratos, apoiar protetores e entidades que realizam diariamente um trabalho que muitas vezes deveria contar com maior presença do poder público.
Também precisamos falar sobre atendimento veterinário. Para milhares de famílias, um cachorro ou um gato é parte da família. Quando esse animal adoece gravemente, muitas pessoas enfrentam a angústia de não ter condições financeiras para pagar uma consulta, um exame ou uma cirurgia. Ninguém deveria assistir ao sofrimento de um companheiro de anos simplesmente porque não tem dinheiro para salvá-lo.
Defender políticas públicas para os animais não significa colocar animais acima das pessoas. Significa reconhecer que uma sociedade verdadeiramente responsável não fecha os olhos para nenhuma forma de sofrimento.
Os animais não fazem discursos. Não protestam. Não conseguem denunciar quem os abandona ou maltrata. Eles sentem fome, frio, medo e dor, mas também reconhecem carinho, cuidado e proteção.
Uma cidade que protege seus animais também ensina suas crianças sobre respeito, responsabilidade e cuidado com a vida.
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