Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 07 de Outubro de 2026 às 18:11

A nova realidade da medicina veterinária

Ruben Lundgren Cavalcanti, médico-veterinário e  head do Grupo Hospitalar Pet Support

Ruben Lundgren Cavalcanti, médico-veterinário e head do Grupo Hospitalar Pet Support

DIVULGAÇÃO/JC
Compartilhe:
JC
JC
Ruben Lundgren Cavalcanti

A percepção de que a medicina veterinária ficou mais cara é cada vez mais comum e costuma vir acompanhada de surpresa, como se o cuidado com os animais tivesse ultrapassado um limite esperado. Mas essa leitura não conta a história completa.

O que mudou não foi apenas o preço. Foi o nível de medicina oferecido.

Por muito tempo, o atendimento veterinário se concentrou no básico: consultas, vacinação e procedimentos de rotina. Em casos graves, a capacidade de resposta era limitada, não por falta de dedicação, mas pela ausência de estrutura e tecnologia.

Hoje, o cenário é outro. A medicina veterinária incorporou especialização, equipamentos modernos e uma lógica mais próxima da medicina humana. Exames de imagem mais precisos, monitoramento contínuo, terapia intensiva e cirurgias complexas fazem parte da rotina de muitos hospitais.

Esse avanço exige investimento. Boa parte dos equipamentos é importada e sensível ao câmbio. Somam-se equipes qualificadas, em formação constante, e estruturas preparadas para atendimento contínuo, com suporte técnico e protocolos rigorosos.

Não se trata de um aumento isolado de preços, mas de uma transformação no próprio modelo de cuidado. Muitas vezes, o que o tutor percebe como “caro” é o acesso a uma medicina que antes simplesmente não existia. Um animal em estado crítico, que há alguns anos teria poucas alternativas, hoje pode ser diagnosticado com mais precisão, tratado com recursos avançados e acompanhado com mais segurança.

Isso não elimina o impacto financeiro, mas muda a forma de compreender o que está sendo oferecido. A medicina veterinária não ficou mais cara por acaso: ficou mais completa, tecnológica e preparada para situações que antes não tinham solução.

Esse avanço também foi impulsionado pela mudança na relação entre as pessoas e seus animais. À medida que os pets passaram a ocupar um lugar central nas famílias, cresceu a busca por diagnósticos mais precisos, especialistas e tratamentos avançados.

No fim, o aumento do custo é também consequência do aumento do valor atribuído à vida animal. Afinal, por que existem equipes treinadas, tecnologia avançada e hospitais tão estruturados? Porque a relação com os animais mudou, e essa estrutura surgiu para atender a uma nova demanda. Quando o vínculo se transforma, o cuidado se transforma junto.

Médico-veterinário e head do Grupo Hospitalar Pet Support

Notícias relacionadas

Os artigos são de responsabilidade dos autores e não traduzem a opinião do jornal. A sua divulgação, dentro da possibilidade do espaço disponível, obedece ao propósito de estimular o debate de interesse da sociedade e o de refletir as diversas tendências.