Jordani Maciel
O Rio Grande do Sul chega às eleições diante de uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. A economia gaúcha cresceu 3,3% no primeiro semestre de 2026, as exportações avançaram 16,3% no segundo trimestre e a Invest RS estima R$ 48 bilhões em potenciais investimentos. Os números são positivos. A pergunta, porém, não é apenas quanto crescemos, mas se conseguiremos sustentar esse crescimento.
É preciso reconhecer a força de um Estado que produz, exporta, empreende e se reconstrói. Depois de crises fiscais, perdas logísticas e eventos climáticos severos, voltar a avançar revela resiliência. Mas recuperação e desenvolvimento duradouro não são a mesma coisa.
O próximo governo receberá um Estado com oportunidades e problemas conhecidos. A situação fiscal permanece sensível. A infraestrutura limita a competitividade. Empresas convivem com burocracia, insegurança e custos que não desaparecem quando um indicador melhora.
Investimentos anunciados somente se transformam em emprego e renda quando encontram previsibilidade, mão de obra, logística e capacidade de decisão.
Por isso, a eleição não deveria ser apenas uma disputa de promessas. O debate precisa mostrar como cada projeto pretende transformar crescimento em política de Estado. Quais são as prioridades e metas? Como serão medidas? Quem acompanhará a execução? O que será corrigido quando os resultados não aparecerem?
Gestão responsável exige método, medição, monitoramento e melhoria. Não basta anunciar obras, incentivos ou programas. É necessário definir prazos, avaliar riscos, publicar resultados e aprender com a execução. Sem isso, boas oportunidades podem se perder entre entraves administrativos e decisões adiadas.
O Rio Grande do Sul não precisa escolher entre responsabilidade fiscal e desenvolvimento. Precisa das duas coisas. Equilíbrio nas contas cria confiança; investimento produtivo amplia receita, emprego e competitividade. A verdadeira escolha está entre administrar o futuro ou apenas reagir aos problemas.
Os indicadores mostram que o Estado voltou a crescer. Agora, candidatos e eleitores precisam discutir como fazer esse avanço chegar às empresas, aos trabalhadores e às diferentes regiões. A eleição passa. O desafio de sustentar o crescimento permanece.
Administrador e ex-diretor de Desenvolvimento Econômico e Habitação e relator da Lei da Liberdade Econômica de Glorinha
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