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Publicada em 21 de Setembro de 2026 às 18:14

Selic cai. Mas o que vem depois?

Vanessa Onzi, economista da Unicred Integração

Vanessa Onzi, economista da Unicred Integração

Unicred Integração/Divulgação/JC
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Vanessa Onzi 

O Copom reduziu novamente a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 13,75% ao ano. O movimento já era esperado pelo mercado, mas a grande questão está nos próximos passos: qual será o ritmo de flexibilização daqui para frente?

A resposta dependerá não apenas da inflação e da atividade econômica brasileira, mas também do cenário externo. E o contraste da “Super Quarta” chama atenção: enquanto o Brasil reduz os juros, o Federal Reserve elevou a taxa americana para 3,75%–4,00%, diante de uma inflação ainda pressionada. O ambiente internacional, portanto, continua relevante para câmbio, fluxo de capitais, commodities e condições financeiras.

No Brasil, as projeções do mercado ajudam a dimensionar esse cenário: PIB de 1,89% em 2026 e 1,45% em 2027; inflação de 4,90% e 4,30%, respectivamente; e Selic projetada em 13,75% ao final de 2026 e 12,00% em 2027. Mas talvez o dado mais importante esteja justamente na direção dessas revisões: o crescimento esperado para 2027 vem sendo reduzido, enquanto a projeção de inflação para o mesmo período subiu pela quinta semana consecutiva. Isso sugere um cenário de atividade mais moderada, inflação ainda resistente e juros elevados por mais tempo. É nesse contexto que começa a construção do planejamento de 2027.

Mais do que definir quanto crescer, será necessário entender em quais condições esse crescimento poderá acontecer. Quais serão os impactos dos juros sobre crédito e consumo? Como inflação, câmbio e cenário externo podem afetar custos e margens?

Onde haverá espaço para crescimento e onde será necessário buscar produtividade e eficiência?

E, principalmente, quais são os drivers que realmente movimentam cada negócio?

Planejar é transformar essas premissas em escolhas: onde crescer, onde investir, onde ganhar eficiência e quais prioridades precisam ser preservadas mesmo diante de cenários diferentes.

Por isso, o planejamento não deve partir de uma única previsão. Deve trabalhar com cenários, testar premissas e deixar claras as variáveis que podem exigir mudança de rota ao longo do ano.

No fim, o orçamento traduz a estratégia em números. O planejamento transforma o cenário
em decisões.

Juros mudam. A economia muda. A estratégia precisa continuar.

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