Nilton Neco
O comércio faz parte da vida de Porto Alegre. Está nas grandes lojas, shoppings, supermercados e pequenos estabelecimentos. Movimenta a economia, gera empregos e faz a cidade funcionar. Mas, por trás de cada atendimento, venda ou meta cumprida, existe uma pessoa. São essas pessoas que devem estar no centro do debate sobre o futuro do comércio.
É com esse olhar que o Sindicato dos Empregados no Comércio (Sindec) inicia mais uma Campanha Salarial. Vamos discutir salários, mas nossa pauta vai além do contracheque. Queremos discutir jornada, descanso, saúde e respeito. Porque um comércio forte não pode ser construído às custas de quem trabalha nele.
O mundo do trabalho mudou. No comércio, novas tecnologias, inteligência artificial e novas formas de controle já fazem parte da rotina. Essas mudanças podem melhorar processos e abrir oportunidades, mas não podem significar mais pressão ou metas.
Ao mesmo tempo, velhos problemas continuam presentes. Sobrecarga, metas excessivas, assédio e condições inadequadas ainda fazem parte da realidade de muitos comerciários. Gestantes, mães e vítimas de violência precisam de proteção e apoio.
O trabalho ocupa uma parte importante da vida, mas não pode ocupar a vida inteira. Quem trabalha precisa de tempo para a família, estudar, cuidar da saúde e descansar. Por isso, o Sindec defende o fim da escala 6x1 e a redução da jornada.
Também reivindicamos 100% da inflação mais aumento real dos salários. Um salário melhor reconhece o esforço de quem trabalha. Uma jornada menor devolve tempo à vida.
A negociação começa em outubro. Vamos levar essas propostas aos representantes patronais. Será preciso negociar, argumentar e, quando necessário, mobilizar. Nenhuma conquista importante veio sem participação da categoria.
O comércio e as relações de trabalho vão continuar mudando. O que não pode mudar é o respeito, a remuneração justa e a dignidade de quem trabalha.
Queremos um comércio que cresça, gere empregos e movimente Porto Alegre, mas que também valorize quem está atrás do balcão, no caixa, no estoque e na entrega, fazendo esse setor funcionar.
É esse o trabalho que queremos para Porto Alegre: um trabalho que tenha seu valor reconhecido e que deixe tempo para viver.
Presidente do Sindicato dos Comerciários de Porto Alegre
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