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Publicada em 14 de Setembro de 2026 às 18:43

Nova ordem construtiva: Industrialização

Vicente Brandão, arquiteto e urbanista, diretor da AsBEA-RS

Vicente Brandão, arquiteto e urbanista, diretor da AsBEA-RS

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Vicente Brandão

A construção civil vive a convergência de pressões que, isoladas, já seriam duras: escassez de mão de obra qualificada, mudanças tributárias, eventos climáticos extremos, exigências crescentes de desempenho e cobrança por descarbonização. No Rio Grande do Sul, as enchentes de 2024 acrescentaram urgência. Reconstruir não pode significar repetir.

A resposta que o setor vem construindo é a industrialização. Produzir em ambiente controlado reduz desperdício, encurta prazos, aumenta a previsibilidade de custos e melhora as condições de segurança no canteiro. Sistemas pré-fabricados, madeira engenheirada, fachadas de alto desempenho e soluções industrializadas para instalações prediais são tecnologias disponíveis no mercado.

Industrializar não é abrir mão da liberdade arquitetônica em favor da padronização. É o contrário. Nesses sistemas, as decisões são antecipadas para a fase de projeto, quando o custo de mudar ainda é baixo. É a partir da liberdade arquitetônica que se definem diretrizes, identidade e linguagem, junto com as especificações de desempenho. Isso valoriza o projeto.

A engenharia define os melhores meios para atingir esses resultados. Métodos construtivos industrializados permitem maior agilidade, uso de menos recursos, otimização do tempo e mais segurança para quem trabalha no canteiro.

O profissional com conhecimento e responsabilidade técnica torna-se mais necessário neste futuro construtivo digital, não menos. Arquitetos e engenheiros que dominem sistemas construtivos, desempenho de envoltórias, compatibilização digital e ciclo de vida dos materiais são os profissionais do futuro. A decisão que define custo, desempenho e emissões de um edifício é tomada por esses profissionais, e responde por ela quem assina a RRT ou a ART, não um algoritmo.

O déficit habitacional é onde o tema encontra sua maior urgência. Retrofit de edifícios ociosos em centros urbanos e produção industrializada de moradia são caminhos concretos e viáveis para entregar quantidade com qualidade, com sustentabilidade e eficiência energética.

Nesta quarta-feira, dia 16, AsBEA-RS e Sinduscon-RS realizam em Porto Alegre o 4º Seminário Industrialização na Construção, no Teatro do Sinduscon.


Arquiteto e urbanista, diretor da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA-RS) 

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