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Publicada em 24 de Setembro de 2026 às 18:07

Prédios e as memórias de Porto Alegre

Pedro Dal Magro, sócio-diretor da Dallasanta

Pedro Dal Magro, sócio-diretor da Dallasanta

Dallasanta/Divulgação/JC
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Pedro Dal Magro
Pedro Dal Magro

Porto Alegre é uma cidade que carrega sua história nas esquinas. Em tempos em que a transformação urbana costuma apagar memórias para abrir espaço ao novo, preservar edifícios históricos deixou de ser apenas uma questão arquitetônica. É um compromisso coletivo para manter viva a memória cultural da cidade.

O clássico Cine Avenida, na esquina das avenidas João Pessoa e Venâncio Aires, é um exemplo. Desde 1920, o prédio acompanha diferentes fases da Capital. Já foi cinema, bingo, faculdade e hoje segue ativo como sede de serviços da prefeitura. Sua função mudou ao longo do tempo, mas o vínculo com a cidade e com as pessoas que passaram por ali continua firme.

O caso do Edifício Herrmann segue a mesma lógica. O local, que já foi hotel e antiga sede da extinta VASP, hoje funciona como espaço de coliving e loja de rua. O tempo passa, a finalidade muda, enquanto a arquitetura e sua importância para a capital dos gaúchos se mantêm. Novas histórias serão contadas no local, mas o mais importante é seguir integrado à dinâmica da cidade, preservando uma presença que atravessa gerações.

Na Cidade Baixa, o Espaço Olaria também carrega esse significado. A tradicional fachada de tijolos da Rua Lima e Silva permanece como uma das marcas culturais do bairro. Ao longo dos anos, o local se consolidou como ponto de encontro e convivência, mantendo viva uma relação afetiva construída por diferentes gerações de frequentadores. Hoje, nossa missão é preservar essa memória por meio de uma revitalização cuidadosa, mantendo o local vivo como patrimônio da cidade.

Em cidades que passam por transformações rápidas, existe o risco de que o desenvolvimento se confunda com apagamento. Reocupar imóveis históricos com responsabilidade é uma forma de impedir que isso aconteça. Não para prender a cidade ao passado, mas para preservar sua trajetória.

Porto Alegre não precisa escolher entre preservação e renovação. Uma cidade também se fortalece quando consegue equilibrar esses fatores para continuar contando suas histórias.

Sócio-diretor da Dallasanta

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