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Publicada em 07 de Setembro de 2026 às 18:09

Eleições, Brasil e Polônia

Rodrigo Villa Real Mello, economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)

Rodrigo Villa Real Mello, economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)

IEE/DIVULGAÇÃO/JC
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Rodrigo Villa Real Mello
O Brasil entra oficialmente na disputa presidencial e, com ela, cabe nos questionarmos sobre a estagnação relativa que nosso País enfrenta há anos. Em meio a um mundo complexo e desafiador, onde múltiplas nações avançaram enquanto o Brasil ficou para trás. Devemos refletir se existe, entre os candidatos que se anunciam, alguém capaz de propor mudanças estruturais de verdade, ou seguiremos girando em torno do curto prazo, do populismo fiscal e das reformas natimortas?
A Polônia oferece um contraponto instrutivo. Em 1995, a riqueza por habitante polonesa era 36% da britânica. Hoje já ultrapassa 80%, com projeções de superar o Reino Unido até 2030. Não foi sorte, nem commodity. Foi uma opção política sustentada por décadas.
Os números de Varsóvia entre 2000 e 2026 traduzem isso em concreto. O PIB per capita saltou 364%, o salário médio subiu 457%, o desemprego caiu de 15% para 1,6%. A bolsa cresceu 24 vezes em valor de mercado. Surgiram cerca de 650 startups onde não havia nenhuma. E, enquanto a economia se sofisticava, os crimes totais caíram 45,5% e os homicídios reduziram em 81,4%.
O que sustentou a trajetória foi a combinação de abertura ao investimento global, previsibilidade regulatória e incentivo fiscal deliberado para reter capital humano jovem, com uma isenção de imposto para menores de 26 anos, por exemplo. O resultado social é tão relevante quanto o econômico, pois desde o Brexit, um terço dos poloneses que emigraram ao Reino Unido voltaram para casa. Não por saudade da terra natal, mas porque as condições e oportunidades mudaram.
Enquanto isso, o Brasil intensificou os seus problemas elevando a carga tributária, acentuando a insegurança jurídica e institucional que vivemos; um Estado que consome sem entregar proporcionalmente; e uma juventude qualificada que sonha em abandonar o País. Reformas efetivas não são as que rendem matérias, mas as que alteram incentivos por uma geração inteira.
A eleição de 2026 não deveria ser sobre qual nome desperta menos rejeição; e sim sobre qual projeto está disposto a pagar o custo político de tomar as decisões difíceis que o Brasil necessita. A Polônia levou 30 anos para trocar de patamar. O Brasil ainda está decidindo se quer começar.
Economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)
 

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