Felipe Saft Eugênio
Em um mundo onde a inovação avança em ritmo acelerado, a sensação de estarmos em uma transição constante se confirma a cada dia. Para quem trabalha observando os movimentos da sociedade, há um fundamento básico que dita as regras: entender e estar atento ao comportamento do consumidor. Hoje, uma das maiores mudanças de hábitos acontece bem no centro das nossas salas de estar: a televisão passou por uma revolução silenciosa.
Vivemos a era da chamada Connected TV (CTV), ou TV Conectada. Trata-se de qualquer conteúdo em vídeo digital consumido na TV por meio da internet, desde as Smart TVs até consoles de videogame. O que parecia um hábito de nicho virou o centro do entretenimento. Segundo dados da Comscore, 67% da população online no Brasil já é definida como “espectadora de CTV”, o que representa um universo de 88 milhões de pessoas. Nós não mudamos apenas a tecnologia; mudamos a forma como consumimos cultura.
Há alguns anos, a promessa do streaming era a de uma liberdade total: infinidade de opções de filmes e séries, com uma única assinatura e sem comerciais. Contudo, com diversas plataformas de streaming entrando no mercado, a conta das múltiplas assinaturas chegou, e o comportamento se ajustou à realidade. Hoje, conforme a mesma pesquisa da Comscore, 56% dos espectadores de TV Conectada preferem opções de streaming que exibam anúncios, em vez de pagar por planos mais caros sem publicidade.
Para o mercado, esse cenário é desafiador e exige reinvenção. Não basta replicar o velho anúncio em uma nova tela; é preciso gerar conexão. A tecnologia força as marcas a serem menos interruptivas e mais inteligentes, diversificando formatos. A publicidade passa a integrar a experiência.
Em paralelo, a TV aberta ou a cabo está longe de perder seu papel, mantendo-se eficiente para garantir grandes coberturas e impactos em massa. A TV Conectada atua como um complemento perfeito, unindo o impacto da tela grande com a precisão dos dados do digital.
Em um cenário de consumo de mídia fragmentado, as tendências mostram que, apoiadas em dados, as empresas terão que conversar com o público de forma muito mais autêntica em seus momentos de lazer. O sofá continua o mesmo, mas a experiência, definitivamente, é outra.
Head de Mídia da Agência Matriz