João Fraga
As empresas aprenderam a acumular dados. Agora precisam aprender a decidir com eles. Durante muito tempo, o pagamento foi tratado como o ponto final de uma jornada: importava saber se a operação havia sido aprovada ou recusada. Essa visão tornou-se pequena diante da inteligência de uma transação.
Em uma economia digital, uma operação registra sinais sobre comportamento, contexto e risco. O Pix já é utilizado por mais de 170 milhões de pessoas físicas no Brasil e movimentou cerca de R$ 3 trilhões em maio de 2026, em mais de 7 bilhões de transações, segundo o Banco Central. Horário, frequência, valor e recorrência ajudam a identificar padrões.
Empresas investiram durante anos em coleta e armazenamento de dados. Em 2025, os brasileiros realizaram 240,8 bilhões de transações bancárias, 83% por canais digitais, segundo a Febraban. Mas visualizar melhor o passado não significa estar mais preparado para decidir o futuro.
Em mercados regulados, eficiência precisa conviver com segurança e proteção de receita. Em 2026, 81% dos brasileiros declararam ter tido contato com algum tipo de golpe online, com perdas estimadas em R$ 21 bilhões, segundo a Global Anti-Scam Alliance.
Interpretar sinais de comportamento torna-se estratégico. Uma combinação incomum entre frequência, horário, valor e histórico pode não significar nada isoladamente. Em contexto, porém, pode indicar algo que merece atenção.
A inteligência artificial amplia essa capacidade. Segundo a IBM, organizações que utilizam extensivamente IA em segurança registraram economia de US$ 1,9 milhão em comparação com aquelas que não adotavam essas soluções. Mas inteligência não significa produzir mais alertas. A tecnologia precisa responder perguntas concretas: o que está acontecendo, qual o risco e qual decisão deve ser tomada?
Não se trata, portanto, de possuir mais dados. O diferencial estará em quem conseguir conectá-los, interpretá-los e utilizá-los para antecipar riscos, proteger receita, aumentar eficiência e tomar decisões melhores. A inteligência de dados só produz valor quando consegue sair do dashboard e chegar efetivamente à decisão.
O pagamento pode continuar sendo o fim de uma transação, mas, para a inteligência de dados, ele é o começo de uma história.
CEO da Paag