Humberto Ponzio
Quando iniciamos os procedimentos para correção de rugas, flacidez e envelhecimento facial, há mais de 30 anos, a mentalidade médica e de consumo era completamente diferente. A proposta da época, que viu o surgimento da toxina botulínica e dos primeiros preenchedores, era corrigir de forma quase exagerada. Buscava-se "congelar" as expressões, paralisar a musculatura da testa e eliminar todo e qualquer pé de galinha. Foi também a era dos produtos definitivos, como os fios de Goretex, o silicone e o PMMA.
Três décadas depois, a medicina e a sociedade amadureceram. Hoje, entendemos que o belo é o natural. O objetivo não é transformar a pessoa em outra ou criar rostos padronizados em uma espécie de "receita de bolo". Isso não é harmonização; é uniformização. Ver todo mundo com a mesma fisionomia, bochechas excessivamente injetadas e lábios desproporcionais descaracteriza a beleza única que cada indivíduo possui. A verdadeira busca atual é restabelecer a estrutura facial que o paciente tinha antes do processo de envelhecimento.
No entanto, esse resgate esbarra em um obstáculo: o histórico médico do paciente. Muitas pessoas que hoje buscam tratamentos modernos e temporários, como o ácido hialurônico, trazem na pele as marcas e os produtos permanentes aplicados no passado — e muitas vezes nem se lembram disso ou não sabem o que foi injetado. É preciso lembrar que o que é permanente é o preenchedor, e não o preenchimento: o rosto muda e envelhece, mas substâncias como o PMMA ficam lá para sempre, gerando riscos severos a longo prazo.
Aplicar um preenchedor atual sobre um produto definitivo antigo pode desencadear infecções sérias e a formação de biofilme. É por isso que a tecnologia se tornou a nossa maior aliada. A introdução da ultrassonografia dermatológica de alta frequência nos consultórios mudou as regras do jogo.
Através desse exame, que funciona como uma visão raio-X da superfície da pele, conseguimos enxergar exatamente onde estão os vasos sanguíneos e os materiais antigos. Dessa forma, blindamos médico e paciente contra complicações graves e necroses. Olhar para o futuro da estética exige, antes de tudo, escanear o passado com segurança e respeitar a anatomia de cada história.
Continue sua leitura, escolha seu plano agora!