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Publicada em 27 de Agosto de 2026 às 14:00

Ideb: medir é importante, mas ter coragem para mudar é indispensável

Renato Paixão, consultor em Educação Pública e diretor da Centralink Soluções Educacionais

Renato Paixão, consultor em Educação Pública e diretor da Centralink Soluções Educacionais

DIVULGAÇÃO/JC
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Renato Paixão

O que os números do Ideb dizem sobre a educação pública do Rio Grande do Sul? O Ideb varia de zero a dez e combina aprendizagem e fluxo escolar. Não é apenas uma nota, mas um demonstrativo sobre se os alunos estão avançando e aprendendo. Por isso, é uma informação essencial para gestores, educadores e famílias.

O relato de um prefeito da Região Metropolitana de Porto Alegre ilustra as prioridades
históricas da gestão educacional. Em quase 20 anos de vida pública, ele já havia sido
cobrado por merenda, uniforme, transporte, material escolar e infraestrutura. Sobre Ideb, nunca. Tudo isso importa, mas a aprendizagem precisa estar no centro. Quando os pais conhecem o Ideb, também passam a cobrar resultados. Na educação pública, a cobrança também educa a gestão.

Os resultados de 2025 mostram pequena evolução no RS, mas longe de justificar
comemoração. O Ideb passou de 6,0 para 6,3 nos anos iniciais, de 4,9 para 5,4 nos anos finais e de 4,2 para 4,9 no Ensino Médio. Sobral, no Ceará, alcançou 9,63 nos anos iniciais e 8,05 nos anos finais. Outros municípios do Nordeste chegaram à nota 10.

O RS melhorou, mas segue distante do que outras redes já alcançaram. Não podemos
normalizar índices baixos. A responsabilidade passa pela coragem dos gestores e pelo
compromisso dos professores em aderir a metodologias capazes de melhorar a
aprendizagem.

Tecnologia educacional não substitui o professor, mas o fortalece. Sistemas estruturados identificam defasagens, orientam intervenções e acompanham resultados. Alvorada, Igrejinha, Glorinha e Santo Antônio da Patrulha já adotam soluções estruturadas. Alvorada merece destaque. O município adotou metas e o 14º salário, vinculando reconhecimento financeiro à evolução das escolas. Sobral prova que resultados excepcionais são possíveis.

A pergunta é: por que ainda estamos tão distantes de quem já mostrou que é possível fazer muito melhor? Método sem execução é discurso, tecnologia sem adesão é desperdício, dado sem decisão é apenas um número. A resistência à mudança não pode continuar sendo paga pelo aluno.

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