Maicon Dias
Durante muito tempo, a lógica das marcas próprias foi simples: entregar algo parecido por um preço menor, com embalagem discreta, comunicação inexistente e pouca ambição além da gôndola. Esse modelo está mudando.
No Brasil, a transformação já aparece nas prateleiras. A Panvel tem mais de 1,1 mil produtos na linha de maquiagem 24&7, a RD Saúde conta com marcas como Needs e Bwell, que respondem por 9% da receita bruta, e o Carrefour já tira mais de 20% das vendas de rótulos próprios.
Marca própria não quer mais ser só uma alternativa barata. Quer ser reconhecida, desejada e escolhida. Segundo a NielsenIQ, 69% dos brasileiros consideram essas marcas boas alternativas às tradicionais, 72% enxergam nelas um ótimo custo-benefício e 68% comprariam mais se houvesse maior variedade.
A pressão econômica ajuda a explicar o movimento, mas não conta toda a história: as marcas próprias melhoraram produto, embalagem e experiência. Algumas deixaram de copiar líderes e passaram a desenvolver linhas próprias e linguagem reconhecível. Em vez de esconder a origem varejista, usaram essa origem como chancela de confiança.
Na prática, aprenderam branding. E isso cria uma pergunta incômoda para as marcas tradicionais: se o concorrente mais barato também entrega qualidade percebida, apresentação e confiança, o que ainda justifica pagar mais?
Quando a marca própria deixa de parecer inferior, tradição sozinha não sustenta mais preço. É preciso transformar reconhecimento em valor concreto, seja pela inovação, por uma experiência superior, por produtos proprietários ou por uma conexão cultural difícil de copiar.
Continue sua leitura, escolha seu plano agora!