Vera Armando
A violência enfrentada pelas mulheres que vivem no meio rural é uma realidade que parece distante até do próprio poder público.
No campo, a distância geográfica pode se transformar em distância da proteção. Muitas mulheres que vivem no campo enfrentam dificuldades de transporte, acesso limitado à internet e aos serviços públicos, além da dependência financeira. Quando a violência acontece dentro de casa, pedir ajuda pode significar vencer quilômetros, medo e anos de dependência.
E violência não é apenas agressão física. Está no controle do dinheiro, nas ameaças, humilhações, perseguições e na tentativa de impedir que a mulher decida sobre a própria vida. Muitas trabalham diariamente na propriedade rural, ajudam a produzir renda e sustentam suas famílias, mas não possuem autonomia alguma.
Nesse cenário, o silêncio se torna aliado do agressor. Medo, vergonha, falta de informação e ausência de uma rede de proteção dificultam a denúncia. Por isso, não basta ter boas leis. É preciso fazer a proteção chegar até elas.
Salas das Margaridas, mais delegacias, Patrulha Maria da Penha e ações em parceria com entidades precisam alcançar cada vez mais as comunidades do interior. Nenhuma mulher deveria percorrer quilômetros para encontrar o Estado quando mais precisa.
Mas há outra mudança indispensável. O enfrentamento à violência não pode ser uma conversa apenas entre mulheres. Os homens precisam participar.
Homens que respeitam as mulheres devem assumir seu papel como aliados dentro de casa, no trabalho, nas comunidades e entre amigos. Precisamos romper a ideia de que uma agressão é problema apenas do casal. Quem presencia violência e escolhe o silêncio ajuda a criar um ambiente no qual o agressor se sente protegido.
Foi com essa convicção que promovi o seminário “O papel do homem contra o feminicídio”. Precisamos de homens capazes de ajudar a construir uma cultura de respeito.
No meio rural, essa participação é ainda mais importante. Comunidades menores possuem relações próximas. Essa proximidade pode alimentar o silêncio, mas também pode se transformar em uma poderosa rede de proteção.
Nenhuma distância pode separar uma mulher do direito de viver com segurança. Combater a violência é responsabilidade de todos.
Continue sua leitura, escolha seu plano agora!