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Publicada em 07 de Julho de 2026 às 18:10

Retrofit é estratégia urbana

Tiago Antunes, vice-presidente de Operações do Grupo Estrutura

Tiago Antunes, vice-presidente de Operações do Grupo Estrutura

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Tiago Antunes 



O mercado imobiliário aprendeu a olhar para os centros históricos das grandes cidades como territórios difíceis. Custos elevados, insegurança jurídica, restrições patrimoniais, vacância de uso e degradação urbana criaram uma percepção quase automática de que construir do zero seria mais simples. Mas a questão central não é sobre facilidade, mas sobre qual cidade queremos nas próximas décadas.

O debate sobre retrofit diz respeito à eficiência e visão de longo prazo. Essa mudança começa a acontecer porque três janelas se alinharam. A primeira delas é demográfica, onde uma nova geração volta a desejar bairros centrais, conectados à cultura, à mobilidade e à vida real. Em muitas cidades do mundo, morar no centro deixou de ser um símbolo de decadência e voltou a representar pertencimento.

A segunda janela é imobiliária. A vacância abriu uma oportunidade inédita na qual prédios subutilizados têm potencial para novos usos, especialmente residenciais e mistos. A terceira é tecnológica e financeira. O mercado está mais maduro para discutir retrofit com inteligência construtiva, engenharia especializada, financiamento estruturado e até instrumentos de mercado de capitais voltados para regeneração urbana.

O Nacional Retrofit, no Centro Histórico de Porto Alegre, surge nesse ponto de encontro. O projeto de recuperação de um edifício de 1927 mostra que o patrimônio histórico não deve ser tratado como passivo regulatório, mas como ativo econômico, cultural e urbano.

É contraditório uma cidade tentar construir identidade destruindo, justamente, os espaços que carregam sua memória arquitetônica. Fachadas históricas não são obstáculos ao desenvolvimento, são diferenciais competitivos impossíveis de replicar.

Restaurar uma estrutura existente também é uma escolha ambiental, que reduz emissões, resíduos e impacto urbano quando comparado à lógica da demolição e reconstrução.

A principal mudança que precisamos fazer é cultural. Temos que parar de medir sucesso imobiliário apenas pela entrega de um prédio. A métrica que importa é outra: qual será a taxa de ocupação daquele quarteirão cinco anos depois? Quantas pessoas irão morar, consumir, trabalhar e dar vida àquela região? Cidade viva nasce de ecossistemas urbanos conjuntos, que unem memória e futuro no mesmo endereço.

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